quinta-feira, agosto 31, 2006

Porto, portinho....

Quem mora, ou morou no Porto consegue ver grandes diferenças ao nível do número de habitantes residentes.
Como descreve muito bem o Fernando Vilarinho no seu blogue.
Porto, porto de Gaia, será!?!

Mais vale o Filipe Menezes ficar onde está.

terça-feira, agosto 29, 2006

Estado de quê?

Desculpem-me, mas afinal que raio quer dizer que Portugal é um estado de direito?

Domingo morreu uma mulher de 44 anos, em Nelas. Razão? Violência doméstica, ao que parece. A senhora não foi apanhada à má fé num esconso qualquer desse país para ser assaltada, agredida ou violada. Ela não precisou de sair de casa, do seu "lar", para ser barbaramente agredida e assassinada. Aliás, precisou e muito:
  • há registos de denúncia de violência doméstica por parte desta meulhera desde 2003, segundo o comandante da GNR;
  • na madrugada desse dia os vizinhos chamaram a GNR que a levou ao hospital para receber tratamento médico. Ao meio-dia teve alta, às 17h estava morta.

Espero que os tribunais não venham agora dizer que a senhora não morreu da mão que a agrediu ou que a empeurrou, mas dos hematomas ou de ter caído mal para o lado ou por não saber karate.

Até quando esta vergonha será tolerada?

SERVIÇO DE INFORMAÇÃO À S VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA:

800 202 148 (NÚMERO GRATUITO)

segunda-feira, agosto 28, 2006

Sublinhados

"A verdadeira realidade não é a que vemos, é a que sonhamos, é a arte. O sonho e a arte são a nossa salvação."

A Salvação de Wang-Fô (in Contos Orientais), de MArguerite Yourcenar

Euromilhões

Numa conversa de café também se aprende muita coisa.
Hoje durante a minha hora de almoço estavamos a falar do "sonho" de ganhar o Euromilhões, e com tantos dizeres, houve um que me deixou a pensar, é o seguinte:
O 1º Ministro (José Socrates) devia decretar que TODOS os funcionários públicos deviam jogar no Euromilhões. Assim conforme íam ganhando, despediam-se da Função Pública.
Era uma forma de baixarmos o número de funcionários públicos.

Afinal os jogos da sorte servem para alguma coisa, nem que seja para pôr o pessoal a pensar.

sábado, agosto 26, 2006

Leituras antigas

Contes barbares, por Gauguin


O PAPALAGUI
discurso de tuiavii, chefe de tribo de tiavéa nos mares do sul (trad. Luiza Neto Jorge)

Este livro é uma reflexão de Tuiavii sobre a civilização branca (apesar de Tuiavii ser contra “ a grave doença “ de “pensar”). Tal reflexão (ou reflexões, melhor dizendo) é o resultado de uma visita a este mundo tão distante de Samoa, bem como do contacto com o “papalagui” nas ilhas dos mares do sul.

Se algumas das críticas podem ser consideradas ridículas a nossos olhos, outras há que são de uma pertinência penetrante e outras ainda tocam tão fundo a essência da nossa civilização que, a aceitá-las, não ficaria pedra sobre pedra.

Uma das mais curiosas, a meu ver, é a crítica feita ao cinema (que eu estendo, por analogia, ao teatro e à literatura). Numa coisa tem o chefe Tuiavii razão: “ a vida na Europa não pode existir sem aquele lugar onde se simula a vida”. Esta forma de arte – e todas as outras – servem-nos de escape à forma ridícula de vivermos. Tem razão Tuiavii quando se surpreende com a identificação do espectador com o filme, a qual chega frequentemente à acefalia acrítica. Sem dúvida, a maior parte dos filmes mais não querem do que isto – demasiado pouco. E foi só isto que Tuiavii viu.

Porém, a evasão a que a arte convida, a verdadeira arte, não é assim tão passageira. Implica uma evasão mental activa da realidade, ajudando-nos também, quantas vezes, a modificar a vida e a aproximá-la (dentro do possível) do ideal de Tuiavii.

sexta-feira, agosto 25, 2006

O povo é quem mais ordena

Ainda não entendi o desfecho do caso da demissão (?) do presidente da Câmara de Setúbal.
Afinal o que é mais importante, o VOTO do POVO, ou a cegueira partidária!?

"Assim se vê a força do PC".

quinta-feira, agosto 24, 2006

Liberalização

Nestes últimos dias as notícias abundam sobre os refugiados oriundo de África para a Europa. Entrando principalmente pela costa sul de Espanha.

O que é a liberalização? O que abrange? Só produtos confeccionados? Só bens e serviços?
E porque razão as pessoas ficaram de fora (desta liberalização)?
A liberalização, globalização não abrange as pessoas, qual é a razão?
Abrimos todos (?) os mercados excepto o da liberdade de escolha do país para trabalhar.

Assim vai o mundo.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Incêndios - 2

O Anonymous dos comentários ao poste anterior lembrou, e muito bem, que se calhar eu andava a assinar petições a pedir coisas que já estavam na lei. O mesmo Anonymous (suponho) deu-me uma preciosa ajuda e disse-me qual a lei onde eu poderia esclarecer as minhas dúvidas.

A lei é esta: Decreto-Lei n.º 327/90 de 22 de Outubro e encontra-se aqui explicadinha.

Pelo que li, as proibições à utilização dos terrenos são várias, mas por um período de DEZ anos, não havendo, salvo má leitura da minha parte, nada que impeça a comercialização dos mesmos (que é o objecto da petição do poste anterior) durante tal período. Assim, reitero o meu apoio à dita petição.

Para além disso, na dita lei, há um parágrafo fenomenalmente português que tenho que partilhar. Diz o seguinte:

"4-As proibições estabelecidas nos n.ºs 1 e 2 podem ser levantadas por despacho conjunto dos Ministros do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território, da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas e do Ambiente, a requerimento dos interessados ou da respectiva câmara municipal."

Aposto que deve existir um parágrafo destes em todas as leis a proibirem alguma coisa em Portugal, não acham? E acho que a petição devia exigir que nesta lei não houvesse nada deste género.

Obrigada ao Anonymous pela dica sobre a lei.

terça-feira, agosto 22, 2006

Incêndios

Petição

"Acreditando ser esta uma das soluções para o fim do flagelo, vimos por este meio pedir ao Sr. Primeiro-Ministro e ao Sr. Presidente da República a proibição imediata da comercialização dos terrenos ardidos, por um período nunca inferior a trinta anos.

Os signatários."

Assine aqui a petição: http://www.petitiononline.com/fiminc/petition.html

(Encontrado pela Mary no blogue joaogil.)

Como a mim me pareceu uma boa ideia, já lá fui assinar. E tu?

Sublinhados

Auto-retrato, por Rembrandt













"É difícil permanecer imperador na presença de um médico e difícil também conservar a qualidade de homem. O olho do prático só via em mim um montão de humores, triste amálgama de linfa e de sangue. Veio-me esta manhã, pela primeira vez, a ideia de que o meu corpo, este fiel companheiro, este amigo mais seguro, melhor conhecido por mim que a minha alma, não passa de um monstro dissimulado, que acabará por devorar o seu dono."

Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar (trad. Maria Lamas)

segunda-feira, agosto 21, 2006

Uma Brincadeira de Mau Gosto

Hoje, correndo o risco das irritações morais que me costumam acometer quando tomo estas raras decisões, pus-me a ler o expresso, precisava de uma coisa que se lesse depressa. Para meu enorme espanto concordei inteiramente com o artigo de um senhor que sói causar-me dessas irritações: António Pinto Leite. Diz o homem:

“(…)o melhor método para um jovem aprender a escrever português é fazer, semanalmente, uma redacção e ter correcção personalizada. Ao fim de um ano os resultados serão muito impressivos. Procedi assim com os meus filhos e alguns sobrinhos, cheguei a corrigir uma dúzia de redacções por fim-de-semana dando notas a cada um, e verifiquei os progressos que fizeram (…).

Se cada aluno português escrevesse uma redacção por semana e tivesse correcção personalizda acabava o drama de tantos portugueses não saberem escrever português. Os temas devem ser variados, por vezes absurdos, de maneira a obrigar o jovem, antes de tudo, a pensar.

A redacção com correcção personalizada tem esse primeiro benefício, ajudar a pensar, a analisar, a aprofundar, a associar, a descobrir, a ler. Ensina a pensar escrevendo e a escrever pensando e estas capacidades fazem toda a diferença. Raramente com pouco treino de pensar se sabe escrever bem. A inversa já não é verdadeira, muitas pessoas pensam bem e, supreendentemente, escrevem mal. É comum encontrar licenciados que escrevem deficientemente.

Antes de saber escrever há que saber expor, saber estruturar o raciocínio, saber seleccionar as prioridades da exposição. Tudo isto se aprende. (…)

A correcção personalizda, que não dura menos de 15 a 20 minutos, permite , ao cabo de umas semanas, ter o diagnóstico completo sobre os vícios, as lacunas e as limitaçãoes do aluno e, assim, focar a terapia onde interessa.(…)

Uma coisa é certa: um sistema em que o aluno aprende os LUSÍADAS e não fica a saber escrever português parece uma brincadeira de mau gosto.”

Fim de citação da pág.14 do caderno principal do Expresso

Ora, é EXACTAMENTE isto que eu ando a dizer e a tentar praticar há anos. Sempre tive muitas dezenas de redacções por semana para corrigir, com o resultante acréscimo de trabalho aos fins de semana, mas os resultados viam-se de um modo tão simplesmente extraordinário, que era um prazer fazê-lo. Agora, que sou professora de montes de disciplinas (ao gosto dos diferentes ministros), que tenho que preparar aulas de Apoio, Estudo Acompanhado, Área de Projecto, Clube de Teatro, Aulas de Substituição, para além das de Língua Portuguesa, não tenho tempo para fazer o essencial e isto deixa-me triste, porque profissionalmente era isso que eu fazia bem feito e já não tenho tempo para fazer. Como eu, muitos outros - e duvido que o ensino esteja a melhorar com tantas mudanças acessórias, esquecendo-se o essencial.

domingo, agosto 20, 2006

Hortas para todos












Este não é um blogue de jardinagem, nem sei bem de que é que é ( e aposto que o Medronho também não sabe, não é amigo?), mas ontem plantei umas alfaces e hoje pus-me na net à procura de informação para ver se estavam no sítio certo, no que a sol diz respeito. E descobri um sistema hortícola para todos os saudosos do campo e dos seus produtos, mas que vivem na cidade: uma horta de varanda parecida com os jrdins supensos da Babilónia! Que tal?

Férias

A cómoda antiga que veio com a casa está a começar a ser restaurada por mim, de berbequim na mão (coitada!). A madeira que sobrou das obras está paulatinamente a transformar-se em pedaços de 55 cm para o recuperador de calor. A venerável figueira está mais uma vez a brindar-nos uns portentosos figos pingo de mel, às dezenas por dia (até já pensei em apanhá-los e pô-los à porta, para quem passar se ir servindo, ihih!). Os tomates que eu plantei têm feito o milagre de nascerem sem ser necessário chamar o padre para os benzer ou o engenheiro agrónomo cá da aldeia. Os morangos produzem disparatadamente a um ritmo que ninguém consegue dar vazão. Os maracujás, mais comedidos por enquanto, começam a abrilhantar as saladas de fruta. Espero ansiosamente, e receio, o dia em que a horta seja finalmente a digna desse nome. Tentarei então fazer com que as gatas se tornem vegetarianas...

O que interessa realmente?

Nestes dias, ando a desligar-me do mundo.

Tenho passado a vida a querer saber tudo o que se passa, a não perder telejornais, a ler jornais, a ouvir rádio e a ver documentários só para perceber como é que esta choldra é feita. E sei já demasiado sobre a maldade e a perversidade humanas. Admito que a minha reserva de esperança à prova de tudo em relação ao mundo e aos homens começa a fraquejar. Assim sendo começo a questionar-me sobre para que serviram todos os abaixo-assinados que subscrevi, todas as manifestações a que fui, todo o associativismo activista em que me fui envolvendo, de que serve tudo o que sei sobre os EUA e a URSS e a França e a Alemanha e a Espanha e a China e Timor e a Somália e a Palestina - enfim sobre os donos dos cordelinhos que nos puxam diariamente, sobre os que com eles colaboram e aqueles que de todos são vítimas.

Servirá tudo isto para alguma coisa? Mudará DE FACTO alguma coisa? Não valerá mais saber da pintura flamenga e de Boticcelli? Ou de Yourcenar e Agustina? Ou de Bergman e de Orson Welles? Ou de Amália, Chico Buarque, Ali Farka Touré e Kathleen Battle? Ou da Teresa, do Telmo, do Miguel, da Renata, do Paulo, da Zé? Dos Brigas ou dos Reis?Do amor e da amizade?

Estou farta deste mundo de gente insidiosa e cínica e apetece-me apenas gastar tempo com os melhores, os que recusam a lama e me causam o frémito de apreciar a beleza e os abraços.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Assaltos

Na 2ª feira fui vítima de um assalto no meu carro.
Partiram-me o vidro, entraram no carro, e roubaram-me a máquina fotográfica. Tudo ao pé do meu local de trabalho.
Pelos vidros no chão em redor, é um local (muito) habitual neste tipo de assaltos.
(Parece que o individuo é "expert" na matéria).

Claro que chamei a policia, e fiz participação. De nada resultou..até agora.

Neste momento tenho o carro parado, já que a oficina não tem o vidro pro meu carro. Estou a espera!
Para me descolar tenho a bicicleta, o que já não é mau...mas limitativa.

Enfim, assim começaram as minhas férias...

Vida dura!

quarta-feira, agosto 09, 2006

Obikwelu


Francis Obikwelu sagrou-se campeão europeu dos 100m em Gotemburgo.
Com um tempo abaixo dos 10s, é a melhor marca europeia do ano.
Será que o presidente do Atletismo português vai pedir ao governo a insenção do prémio do IRS como fez Madaíl para com os jogadores de futebol no último mundial?
Um medalha de ouro, é uma medalha de ouro.

Espero que hoje volte a ganhar mais uma medalha de ouro, nesta feita nos 200m.

Parabéns, e obrigado OBIKWELU :)

segunda-feira, agosto 07, 2006

Caminhadas com Lobos


Este fim de semana fui caminhar para a Serra da Peneda com uns amigos, fomos guiados pelo Pedro e pela Anabela, da Ecotura. Foi um passeio esplendoroso, iniciado ao final da tarde com direito a repasto ao pôr-do-sol no meio da serra! Caminhamos pelo planalto de Castro Laboreiro, entre ovelhas, vacas e garranos, vimos gravuras com cinco mil anos e mamoas da mesma altura. Depois do jantar, houve aula de astronomia e a caminhada continuou, ao luar, pelo planalto, acompanhada de muita e boa conversa com os anfitriões.

O Pedro e a Anabela são apaixonados pelo Lobo Ibérico e, depois de alguns anos a estudarem esta espécie, abandonaram Lisboa sem saudades e fixaram-se em Castro Laboreiro com a intenção de ajudar a preservar o lobo através de uma empresa de ecoturismo. Como? A ideia é simples: se os residentes na zona começarem a ver visitantes que vêm para explorar a região com o pretexto do lobo, que dormem nos hotéis locais e comem nos restaurantes da terra, isto é, que deixam lá dinheiro, então talvez as pessoas comecem a encarar o lobo sob outra perspectiva, compreendam a riqueza ecológica que possuem e as suas potencialidades económicas. Talvez deixe de haver lobos envenenados por estricnina ou mortos à má-fé. Ao mesmo tempo, tenta-se sensibilizar todos (turistas e habitantes) para a necessidade de respeitar e proteger o ecossistema das agressões humanas.

Simples, não é? Uma excelente ideia que me proporcionou e aos amigos com quem fui momentos quase mágicos neste Agosto demasiado quente para se passear de dia.

domingo, agosto 06, 2006

Arredondamentos

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi o único banco (dos cinco maiores bancos nacionais) a falar da questão dos "arredondamentos por cima".
Nesta questão o administrador da CGD, Armando Vara afirmou que os arredondamentos são "uma prática completamente legal".
É de realçar que os Bancos auferem na ordem dos 100 milhões de euros por ano com o arredondamento "por cima".

É a vida...

quinta-feira, agosto 03, 2006

quarta-feira, agosto 02, 2006

Cuba livre


Que será feito de Cuba, sem Fidel Castro?

Estará certo?

Soube-se ontem a sentença dada no Caso Gisberta.

Os menores (poder-lhes-emos chamar “crianças”?) agrediram uma pessoa durante vários dias. Isto é, agrediram-na, foram comer, dormir, ver TV, e voltaram nos dias seguintes para continuar o que tinham começado. Depois atiraram essa pessoa para um poço e depois a pessoa morreu. Diz um médico que morreu afogada e não por causa das lesões que os menores lhe infligiram. O tribunal não liga as agressões à morte, não houve assassínio, portanto. Isso significa que se eu amanhã atirar o meu vizinho ao rio e ele morrer de afogamento e não da queda eu não matei, certo?

Eu pergunto: se Gisberta não tivesse sido agredida teria morrido afogada? Se Gisberta fosse heterossexual em vez de transsexual a sentença teria sido a mesma? E se fosse portuguesa em vez de brasileira? E se em vez de SIDA tivesse cancro? E se fosse um idoso? E se fosse uma criança? E se fosse da nossa família?

Eu não sei que sentença se poderia aplicar neste caso, não sei mesmo, atendendo a que os réus são menores. Mas sei que esta sentença não é exemplar para casos futuros; não ensina ninguém a respeitar os outros, sejam eles quem forem; não responsabiliza ninguém (a culpa aparentemente foi do poço): famílias, professores, assistentes sociais, instituições, estado; e não honra conceito nenhum de justiça.

O resultado parece ser o de que mais um excluído social deixou de nos incomodar a consciência, os responsáveis vão estar 11 a 13 meses em regime de semi-internato numa instituição, e todos podemos continuar a dormir em paz - na nossa paz podre. Curiosamente, o menor mais velho (16 anos) irá ser julgado como um adulto (se bem entendi a coisa), isto é, será possivelmente o mais castigado, apesar de ter pedido aos outros para pararem com as agressões…