sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Diz uma ateia praticante: reflictamos e , depois, votemos SIM
Por opção da mulher,
por Frei Bento Domingues, O. P.
04/02/2007
1.Estava já nas últimas páginas da tese e doutoramento de Vítor Coutinho, defendida na Universidade de Münster (Alemanha) - que investiga o paradigma da fecunda interacção entre Bioética e Teologia, terminando com o elogio da interrogação (1) -, quando fui surpreendido com as respostas ao inquérito do DN (30/01/2007): "Concorda ou não que, na defesa dos seus princípios, a Igreja Católica se envolva directamente na campanha do referendo?" Cinquenta e oito por cento rejeita o envolvimento da Igreja e trinta e quatro por cento apoia a sua intervenção.
Donde virá tanta alergia à intervenção da Igreja Católica, identificada abusivamente com a hierarquia?
Circula, há muito, a opinião de que a Igreja tem uma resposta dogmática, irreformável, para todos os problemas sem se preocupar com as perguntas e com os dramas das pessoas, sobretudo no campo da ética sexual. Ainda agora, na carta aos párocos e paroquianos da diocese de Lisboa sobre o referendo, o cardeal-patriarca expressa, logo no primeiro ponto, uma norma que, segundo alguns, não deixa espaço para o esclarecimento e para a liberdade de consciência: "A doutrina da Igreja sobre a vida, inviolável desde o seu primeiro momento, obriga em consciência todos os católicos. Estes, para serem fiéis a Igreja, não devem tomar posições públicas contrárias ao seu Magistério. O esclarecimento que os católicos são chamados a fazer sobre esta questão tem de ter em conta também os critérios de fidelidade à Igreja.
"Os problemas de consciência nem sempre foram resolvidos desta maneira. Nem é preciso recuar até S. Tomás de Aquino. Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, quando era professor de Tubinga, escreveu um texto, pouco antes da Humanae Vitae (1968), que Hans Küng, seu colega e amigo, transcreve, agora, nas suas Memórias. Só posso deixar, aqui, um fragmento: "Acima do papa, como expressão da autoridade eclesial, existe ainda a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja."
Dir-se-á que o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e actual Papa já teve práticas pouco conformes a esta sua luminosa afirmação. Mas não podemos ignorar que, de modos diferentes, toda a Igreja é docente e discente. Esta interacção é, muitas vezes, esquecida para se pensar, apenas, na palavra da hierarquia e na dos leigos que a reproduzem.
2.A corrente laicista, que deseja a Igreja fechada na sacristia, não creio que seja maioritária na sociedade portuguesa, apesar do nosso passado anticlerical. Mas a grande alergia à presença activa da Igreja talvez resulte da ideia de que ela quer fazer da sociedade e do espaço público uma sacristia. As declarações e posições pouco católicas de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais - isto é, parece que não confiam na consciência das mulheres, na sua capacidade de discernimento, para percorrerem todos os caminhos necessários até chegarem a uma decisão bem informada, responsável, prudencial, no sentido que a virtude da prudência, virtude da decisão bem informada, tem em Aristóteles e Tomás de Aquino.
Ora, como escreveu o prof. Vital Moreira, "quando se fala em "despenalização" de certa conduta, tanto no discurso leigo como na linguagem jurídico-penal, o que se pretende é retirá-la do âmbito do direito penal e do Código Penal, ou seja, da esfera dos crimes e das respectivas penas. (...) Só a legalização proporcionará condições para fazer acompanhar a decisão de abortar de um mecanismo obrigatório de reflexão da mulher que o pretenda fazer" (2). E nunca se deve confundir o que é legal com o que é moral.
Como dizia Tomás de Aquino, só somos verdadeiramente livres quando evitamos o mal, porque é mal, e fazemos o bem, porque é bem, não porque está proibido ou mandado. Todo o trabalho que a Igreja tem a fazer é, precisamente, o de ajudar as pessoas a caminharem para esse ponto de lucidez. Esclarecer as consciências não é formatá-las, não é impor-lhes uma outra consciência, não é aliená-las. Quando, nas condições e no prazo referidos, se chama "assassinas" às mulheres que recorrem ao aborto - que a Igreja e qualquer pessoa de bom senso desejam que nunca venha a acontecer -, pode estar-se a insultar, exactamente, as que sofrem os dramas que acompanham essas decisões dolorosas. A resposta ao referendo não deve extravasar o âmbito da pergunta aprovada.
3. Em última análise, a grande suspeita em relação à pergunta do referendo está neste fragmento da frase: "por opção da mulher." E porquê? Porque se julga que as mulheres não são de confiança. No entanto, foi a elas que a natureza confiou a concepção e o desenvolvimento da vida humana, durante nove meses.
Para os cristãos, esta desconfiança em relação às mulheres deveria ser insuportável. Não se lê, no Novo Testamento, que a Incarnação redentora ficou para sempre dependente da decisão de uma mulher, Maria de Nazaré (Lc l, 26-38)? Não foram as mulheres - e, segundo a cultura do tempo, não podiam testemunhar em tribunal - que são apresentadas, nos seus textos fundadores, como as grandes testemunhas do processo de Jesus? Não foram elas que testemunharam que Ele estava vivo, quando os Apóstolos já tinham concluído que estava tudo acabado? Não foi Maria Madalena a escolhida, por Jesus ressuscitado, para evangelizar os Apóstolos, para os convocar para a missão (3)?
E certo que os homens, logo que puderam, as subalternizaram. E, até hoje, por serem mulheres, estão, à partida, excluídas de serem chamadas para os ministérios na Igreja.
No debate sobre o referendo, receio que a Igreja - ao não dar sinais claros de respeito pelo pluralismo no seu interior - perca, uma vez mais, a ocasião de se manifestar verdadeiramente católica.
(1) Vítor Coutinho, Bioética e Teologia. Que paradigma de interacção?, Coimbra, Gráfica de Coimbra, 2005.
(2) PÚBLICO, 30/01/2007.
(3) Cf. Maria Julieta Mendes Dias/Paulo Mendes Pinto, A Verdadeira História de Maria Madalena, Lisboa, Casa das Letras, 2006
por Frei Bento Domingues, O. P.
04/02/2007
1.Estava já nas últimas páginas da tese e doutoramento de Vítor Coutinho, defendida na Universidade de Münster (Alemanha) - que investiga o paradigma da fecunda interacção entre Bioética e Teologia, terminando com o elogio da interrogação (1) -, quando fui surpreendido com as respostas ao inquérito do DN (30/01/2007): "Concorda ou não que, na defesa dos seus princípios, a Igreja Católica se envolva directamente na campanha do referendo?" Cinquenta e oito por cento rejeita o envolvimento da Igreja e trinta e quatro por cento apoia a sua intervenção.
Donde virá tanta alergia à intervenção da Igreja Católica, identificada abusivamente com a hierarquia?
Circula, há muito, a opinião de que a Igreja tem uma resposta dogmática, irreformável, para todos os problemas sem se preocupar com as perguntas e com os dramas das pessoas, sobretudo no campo da ética sexual. Ainda agora, na carta aos párocos e paroquianos da diocese de Lisboa sobre o referendo, o cardeal-patriarca expressa, logo no primeiro ponto, uma norma que, segundo alguns, não deixa espaço para o esclarecimento e para a liberdade de consciência: "A doutrina da Igreja sobre a vida, inviolável desde o seu primeiro momento, obriga em consciência todos os católicos. Estes, para serem fiéis a Igreja, não devem tomar posições públicas contrárias ao seu Magistério. O esclarecimento que os católicos são chamados a fazer sobre esta questão tem de ter em conta também os critérios de fidelidade à Igreja.
"Os problemas de consciência nem sempre foram resolvidos desta maneira. Nem é preciso recuar até S. Tomás de Aquino. Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, quando era professor de Tubinga, escreveu um texto, pouco antes da Humanae Vitae (1968), que Hans Küng, seu colega e amigo, transcreve, agora, nas suas Memórias. Só posso deixar, aqui, um fragmento: "Acima do papa, como expressão da autoridade eclesial, existe ainda a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja."
Dir-se-á que o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e actual Papa já teve práticas pouco conformes a esta sua luminosa afirmação. Mas não podemos ignorar que, de modos diferentes, toda a Igreja é docente e discente. Esta interacção é, muitas vezes, esquecida para se pensar, apenas, na palavra da hierarquia e na dos leigos que a reproduzem.
2.A corrente laicista, que deseja a Igreja fechada na sacristia, não creio que seja maioritária na sociedade portuguesa, apesar do nosso passado anticlerical. Mas a grande alergia à presença activa da Igreja talvez resulte da ideia de que ela quer fazer da sociedade e do espaço público uma sacristia. As declarações e posições pouco católicas de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais - isto é, parece que não confiam na consciência das mulheres, na sua capacidade de discernimento, para percorrerem todos os caminhos necessários até chegarem a uma decisão bem informada, responsável, prudencial, no sentido que a virtude da prudência, virtude da decisão bem informada, tem em Aristóteles e Tomás de Aquino.
Ora, como escreveu o prof. Vital Moreira, "quando se fala em "despenalização" de certa conduta, tanto no discurso leigo como na linguagem jurídico-penal, o que se pretende é retirá-la do âmbito do direito penal e do Código Penal, ou seja, da esfera dos crimes e das respectivas penas. (...) Só a legalização proporcionará condições para fazer acompanhar a decisão de abortar de um mecanismo obrigatório de reflexão da mulher que o pretenda fazer" (2). E nunca se deve confundir o que é legal com o que é moral.
Como dizia Tomás de Aquino, só somos verdadeiramente livres quando evitamos o mal, porque é mal, e fazemos o bem, porque é bem, não porque está proibido ou mandado. Todo o trabalho que a Igreja tem a fazer é, precisamente, o de ajudar as pessoas a caminharem para esse ponto de lucidez. Esclarecer as consciências não é formatá-las, não é impor-lhes uma outra consciência, não é aliená-las. Quando, nas condições e no prazo referidos, se chama "assassinas" às mulheres que recorrem ao aborto - que a Igreja e qualquer pessoa de bom senso desejam que nunca venha a acontecer -, pode estar-se a insultar, exactamente, as que sofrem os dramas que acompanham essas decisões dolorosas. A resposta ao referendo não deve extravasar o âmbito da pergunta aprovada.
3. Em última análise, a grande suspeita em relação à pergunta do referendo está neste fragmento da frase: "por opção da mulher." E porquê? Porque se julga que as mulheres não são de confiança. No entanto, foi a elas que a natureza confiou a concepção e o desenvolvimento da vida humana, durante nove meses.
Para os cristãos, esta desconfiança em relação às mulheres deveria ser insuportável. Não se lê, no Novo Testamento, que a Incarnação redentora ficou para sempre dependente da decisão de uma mulher, Maria de Nazaré (Lc l, 26-38)? Não foram as mulheres - e, segundo a cultura do tempo, não podiam testemunhar em tribunal - que são apresentadas, nos seus textos fundadores, como as grandes testemunhas do processo de Jesus? Não foram elas que testemunharam que Ele estava vivo, quando os Apóstolos já tinham concluído que estava tudo acabado? Não foi Maria Madalena a escolhida, por Jesus ressuscitado, para evangelizar os Apóstolos, para os convocar para a missão (3)?
E certo que os homens, logo que puderam, as subalternizaram. E, até hoje, por serem mulheres, estão, à partida, excluídas de serem chamadas para os ministérios na Igreja.
No debate sobre o referendo, receio que a Igreja - ao não dar sinais claros de respeito pelo pluralismo no seu interior - perca, uma vez mais, a ocasião de se manifestar verdadeiramente católica.
(1) Vítor Coutinho, Bioética e Teologia. Que paradigma de interacção?, Coimbra, Gráfica de Coimbra, 2005.
(2) PÚBLICO, 30/01/2007.
(3) Cf. Maria Julieta Mendes Dias/Paulo Mendes Pinto, A Verdadeira História de Maria Madalena, Lisboa, Casa das Letras, 2006
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Via ecológica: óleos vegetais usados
E depois há o problema dos óleos usados: já todos recebemos por mail aquela mensagem que nos aconselha a colocá-los dentro de uma garrafa de óleo velho para depois a juntarmos ao lixo "normal". Mas fica sempre um grilinho falante na consciência a dizer: mas o que farão ao óelo? Não será o meu gesto apenas ... um gesto inútil?
Bem, a B. mandou-me duas informações preciosas sobre este assunto:
Bem, a B. mandou-me duas informações preciosas sobre este assunto:
- O Jumbo de Aveiro recebe gratuitamente essas garrafas para entregar para reciclagem (excelente ideia! SenhorBelmiro, veja lá que o Continente e afins estão a ficar para trás.)
- A B. também descobiru uma empresa que faz recolha de óleos usados. Basta telefonar e eles fornecem-nos um recipiente próprio para depósito do óleo. Quando o contentor estiver cheio, vêm buscá-lo para o reciclar. Não custa muito, pois não? Então espreitem aqui e vão dando conta da experiência.
Via Ecológica: poupar água
O Venus também me enviou esta informação:
existe um sistema de torneiras que permite, aparentemente, poupar água até 90.000 litros/ano (cálculo para uma família de 4 pessoas) e reutilizar a água do duche e lavatório para a máquina de lavar roupa, autoclismo ou regar o jardim.
Cliquem aqui e ... passem palavra!
existe um sistema de torneiras que permite, aparentemente, poupar água até 90.000 litros/ano (cálculo para uma família de 4 pessoas) e reutilizar a água do duche e lavatório para a máquina de lavar roupa, autoclismo ou regar o jardim.
Cliquem aqui e ... passem palavra!
Jardineira Vegetariana
Ingredientes:
1 xícara de proteína de soja texturizada tamanho grande(casas de produtos naturais)
2 tomates
1 cebola
1 dente de alho
molho shoyu
sal a gosto
pimenta do reino a gosto
1/2 xícara de salsa e cebolinha picados
10 azeitonas(dê preferência por sem caroços)
1 chuchu descascado e cortado em pedaços
1 batata descascada e cortada em pedaços
150gr de abóbora sem caroços, descascada e cortada em pedaços
1 cenoura descascada e cortada em pedaços.
Modo de Preparo:
Em uma vasilha coloque a proteína de soja texturizada de molho em 3 xícaras de água fervente. Quando ela inchar (leva uns 20 minutos) tirar e espremer para sair a água. Se fornecessário corte ela em 3 partes para parecer pedacinhos de carne. Reserve.
Em uma panela coloque a cebola e o alho para refogar com uma colher de sopa de azeite. Logo em seguida jogue a proteína de soja texturizada e 2 colheres (sopa) de shoyu. Acrescente o sal, a pimenta do reino, as azeitonas e os legumes. Cubra os legumes com água e deixe cozinhar até que eles fiquem macios.
Deixe secar o caldo até onde você achar necessário.
Salpique a salsa e a cebolinha e sirva com arroz branco.
Dica: Deixe a abóbora por cima, pois ela cozinha muito rápido.
Rendimento: 3 pessoas
IN: http://www.bemcomer.com.br/maurorebelo/2006/receita_13_04.html
1 xícara de proteína de soja texturizada tamanho grande(casas de produtos naturais)
2 tomates
1 cebola
1 dente de alho
molho shoyu
sal a gosto
pimenta do reino a gosto
1/2 xícara de salsa e cebolinha picados
10 azeitonas(dê preferência por sem caroços)
1 chuchu descascado e cortado em pedaços
1 batata descascada e cortada em pedaços
150gr de abóbora sem caroços, descascada e cortada em pedaços
1 cenoura descascada e cortada em pedaços.
Modo de Preparo:
Em uma vasilha coloque a proteína de soja texturizada de molho em 3 xícaras de água fervente. Quando ela inchar (leva uns 20 minutos) tirar e espremer para sair a água. Se fornecessário corte ela em 3 partes para parecer pedacinhos de carne. Reserve.
Em uma panela coloque a cebola e o alho para refogar com uma colher de sopa de azeite. Logo em seguida jogue a proteína de soja texturizada e 2 colheres (sopa) de shoyu. Acrescente o sal, a pimenta do reino, as azeitonas e os legumes. Cubra os legumes com água e deixe cozinhar até que eles fiquem macios.
Deixe secar o caldo até onde você achar necessário.
Salpique a salsa e a cebolinha e sirva com arroz branco.
Dica: Deixe a abóbora por cima, pois ela cozinha muito rápido.
Rendimento: 3 pessoas
IN: http://www.bemcomer.com.br/maurorebelo/2006/receita_13_04.html
domingo, fevereiro 04, 2007
Via Ecológica
Já todos sabemos (ou devíamos saber) que a água é um recurso absolutamente precioso que nós, europeus, temos à nossa disposição com uma facilidade tal que nos tornamos inconscientes da sua importância e dos nossos desperdícios. A mim causa-me algum mal-estar usar a água potável que me chega pelas torneiras para regar as plantas, para as descargas do autoclismo, para lavar o pátio, o carro ou a roupa. Não me parece correcto, atendendo a que há demasiada gente no mundo que não tem acesso a água potável para beber. Desde que me mudei para este sítio maravilhoso, comecei a pensar que seria perfeito aproveitar as águas da chuva para todas essas circunstâncias em que á agua não necessita de ser potável.
Sabendo destas preocupaçãoes, o meu bom amigo Venus mandou-me este linque (cliquem, se fazem o favor) sobre uma empresa que fabrica reservatórios para recolher as águas que caem dos céus e as aproveitar, seja em casa com jardim, sem jardim, em condomínios e até em empresas.
Fazemos um favor ao ambiente e poupamos no consumo de água! Ah, esta empresa tem ainda sistemas domésticos (se bem entendi) de produção de biodiesel e de tratamento de águas residuais (ETARs) e ainda recolhe óleos vegetais usados.
Cada vez temos menos desculpas para os nossos desperdícios - e ainda bem!
p.s. eu sei que é publicidade, mas é por uma boa causa.
Sabendo destas preocupaçãoes, o meu bom amigo Venus mandou-me este linque (cliquem, se fazem o favor) sobre uma empresa que fabrica reservatórios para recolher as águas que caem dos céus e as aproveitar, seja em casa com jardim, sem jardim, em condomínios e até em empresas.
Fazemos um favor ao ambiente e poupamos no consumo de água! Ah, esta empresa tem ainda sistemas domésticos (se bem entendi) de produção de biodiesel e de tratamento de águas residuais (ETARs) e ainda recolhe óleos vegetais usados.
Cada vez temos menos desculpas para os nossos desperdícios - e ainda bem!
p.s. eu sei que é publicidade, mas é por uma boa causa.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
domingo, janeiro 28, 2007
Para fazer pensar no sim
1.
As razões do meu sim
Voto sim porque a mulher tem o direito a decidir por si sobre o seu corpo, a sua vida, a sua gravidez.
Voto sim porque nenhuma mulher merece ser presa por abortar.
Voto sim porque uma criança só deve nascer se tiver pais que a desejem, a acarinhem, a amem. Pais que tenham possibilidade de proporcionar uma vida feliz e digna a essa criança, sem maus-tratos, fome, tristeza, abandono.
Voto sim porque acredito que um erro de contracepção de dois jovens não deve marcar a sua vida para sempre ao obrigá-los a serem pais quando ainda não sabem o que querem da vida.
Voto sim porque há mulheres e homens com vidas tão difíceis e cruéis em que um filho só viria aumentar as dificuldades.
Voto sim porque sou pai de duas fantásticas meninas e sei o quanto é preciso querer um filho para lhes poder proporcionar um crescimento saudável e não reconheço essa capacidade em muita gente.
Voto sim porque o aborto é um acto tão física e psicologicamente duro que ninguém o faz sem ponderar muito.
Voto sim para acabar com o negócio do aborto clandestino e das suas consequência para as mulheres.
Voto sim porque os métodos contraceptivos por vezes falham.
Voto sim porque algumas das "futuras" crianças iriam ser criadas por familias tão incompetentes e em tão grande crise de afectos que não merecem tal vida (que em muitos casos é mais uma questão de sobrevivência)
Voto sim porque a tão apregoada alternativa não existe. As instituições de acolhimento são poucas e se algumas funcionam bem, outras são depósitos de crianças. E quanto à adopção, todos sabemos os entraves da lei para quem quer adoptar.
Finalmente voto sim porque não devo ser eu a decidir pelos outros e sim cada uma das mulheres e seus parceiros. E só votando sim lhes dou essa possibilidade.
Colocado por patologista no Propriedade Privada
2.
Num tom mais irónico, mas igualmente muito interessante, os textos de Filipe Castro no Oeste Bravio (este e este).
As razões do meu sim
Voto sim porque a mulher tem o direito a decidir por si sobre o seu corpo, a sua vida, a sua gravidez.
Voto sim porque nenhuma mulher merece ser presa por abortar.
Voto sim porque uma criança só deve nascer se tiver pais que a desejem, a acarinhem, a amem. Pais que tenham possibilidade de proporcionar uma vida feliz e digna a essa criança, sem maus-tratos, fome, tristeza, abandono.
Voto sim porque acredito que um erro de contracepção de dois jovens não deve marcar a sua vida para sempre ao obrigá-los a serem pais quando ainda não sabem o que querem da vida.
Voto sim porque há mulheres e homens com vidas tão difíceis e cruéis em que um filho só viria aumentar as dificuldades.
Voto sim porque sou pai de duas fantásticas meninas e sei o quanto é preciso querer um filho para lhes poder proporcionar um crescimento saudável e não reconheço essa capacidade em muita gente.
Voto sim porque o aborto é um acto tão física e psicologicamente duro que ninguém o faz sem ponderar muito.
Voto sim para acabar com o negócio do aborto clandestino e das suas consequência para as mulheres.
Voto sim porque os métodos contraceptivos por vezes falham.
Voto sim porque algumas das "futuras" crianças iriam ser criadas por familias tão incompetentes e em tão grande crise de afectos que não merecem tal vida (que em muitos casos é mais uma questão de sobrevivência)
Voto sim porque a tão apregoada alternativa não existe. As instituições de acolhimento são poucas e se algumas funcionam bem, outras são depósitos de crianças. E quanto à adopção, todos sabemos os entraves da lei para quem quer adoptar.
Finalmente voto sim porque não devo ser eu a decidir pelos outros e sim cada uma das mulheres e seus parceiros. E só votando sim lhes dou essa possibilidade.
Colocado por patologista no Propriedade Privada
2.
Num tom mais irónico, mas igualmente muito interessante, os textos de Filipe Castro no Oeste Bravio (este e este).
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Um mau passo para os americanos, um péssimo passo para a humanidade
"Feixe de energia provoca sensação de queimadura e paralisa movimentos
Pentágono apresenta arma revolucionária
25.01.2007 - 19h42 Rita Siza , em Washington
O Departamento da Defesa norte-americano (Pentágono) apresentou hoje um novo e “revolucionário” sistema de defesa destinado a controlar multidões e a repelir ataques em grupo. O Active Denial System, também conhecido por Heat Ray, consiste no disparo de um feixe de energia que provoca uma sensação intensa de queimadura, suficiente para paralisar os movimentos do inimigo, sem contudo provocar danos permanentes nos indivíduos atingidos."
Aqui está uma arma que aparentemente é óptima, "controla as multidões e os ataques em grupo" sem grandes efeitos para a saúde física dos indivíduos. Então o que me preocupa? A sua utilização para controlar manifestações. Estou perfeitamente a ver manifestações como as que houve contra a invasão do Iraque ou as acções do Greenpeace, por exemplo, a serem controladas por esta via. Com armas destas há o perigo real de os governos as utilizarem para coarctar o direito dos cidadãos a manifestarem-se contra as suas medidas. São armas contra a democracia e pouco podemos fazer contra elas - excepto estarmos atentos para impedirmos que voltem para nós o seu feixe "inócuo".
Pentágono apresenta arma revolucionária
25.01.2007 - 19h42 Rita Siza , em Washington
O Departamento da Defesa norte-americano (Pentágono) apresentou hoje um novo e “revolucionário” sistema de defesa destinado a controlar multidões e a repelir ataques em grupo. O Active Denial System, também conhecido por Heat Ray, consiste no disparo de um feixe de energia que provoca uma sensação intensa de queimadura, suficiente para paralisar os movimentos do inimigo, sem contudo provocar danos permanentes nos indivíduos atingidos."
Aqui está uma arma que aparentemente é óptima, "controla as multidões e os ataques em grupo" sem grandes efeitos para a saúde física dos indivíduos. Então o que me preocupa? A sua utilização para controlar manifestações. Estou perfeitamente a ver manifestações como as que houve contra a invasão do Iraque ou as acções do Greenpeace, por exemplo, a serem controladas por esta via. Com armas destas há o perigo real de os governos as utilizarem para coarctar o direito dos cidadãos a manifestarem-se contra as suas medidas. São armas contra a democracia e pouco podemos fazer contra elas - excepto estarmos atentos para impedirmos que voltem para nós o seu feixe "inócuo".
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Os "valores morais"...
...dos não.
Já há muito referenciados.
Não
Às relações sexuais cujo objectivo não vise a procriação.
Não
À educação sexual nas escolas.
Não
À educação sexual dos filhos no lar materno/paterno.
Não
À utilização de métodos anticonceptivos.
Não
À utilização do preservativo.
Não
À procriação medicamente assistida.
Não
À interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.
Jagunços entram noutras histórias…
-----------------
Nenhuma mulher deve ser presa, ficar doente, ou morrer, por abortar
EU VOTO! SIM.
O autor destes dois textos é o Zé, do Blogue do Zé. E pu-los aqui porque os subscrevo inteiramente. Sobre este assunto, ler também o Propriedade Privada.
Já há muito referenciados.
Não
Às relações sexuais cujo objectivo não vise a procriação.
Não
À educação sexual nas escolas.
Não
À educação sexual dos filhos no lar materno/paterno.
Não
À utilização de métodos anticonceptivos.
Não
À utilização do preservativo.
Não
À procriação medicamente assistida.
Não
À interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.
Jagunços entram noutras histórias…
-----------------
Nenhuma mulher deve ser presa, ficar doente, ou morrer, por abortar
EU VOTO! SIM.
O autor destes dois textos é o Zé, do Blogue do Zé. E pu-los aqui porque os subscrevo inteiramente. Sobre este assunto, ler também o Propriedade Privada.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
sexta-feira, janeiro 12, 2007
David Beckham
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Mosaico do Vouga

O que vale é que neste país há um lugar assim, para gente com muita sorte.
As fotos e a montagem são do Venus e do Tom.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Cicarelli
Ontem foi um "dia negro" para o Brasil.
Proibiram o vídeo "erótico" (?) da Daniela Cicarelli passasse no site YouTube. Pior, cortaram o acesso (total) ao site YouTube. Ninguém no Brasil podia fazer ligação é este site. Um autentico apagão!
Foi um dia de CENSURA à moda antiga.
Passem pelos "blogues" brasileiros para verem a celeuma que está a dar este tema. E não estou a falar do vídeo, mas sim do "ACTO de CENSURA"!
Parece que o fruto proibido...é o mais apetecido!
p.s.: claro está, muita boa gente (no brasil) andou a ganhar dinheiro à custa...dos curiosos! Os tais "experts", "fura redes"...
Proibiram o vídeo "erótico" (?) da Daniela Cicarelli passasse no site YouTube. Pior, cortaram o acesso (total) ao site YouTube. Ninguém no Brasil podia fazer ligação é este site. Um autentico apagão!
Foi um dia de CENSURA à moda antiga.
Passem pelos "blogues" brasileiros para verem a celeuma que está a dar este tema. E não estou a falar do vídeo, mas sim do "ACTO de CENSURA"!
Parece que o fruto proibido...é o mais apetecido!
p.s.: claro está, muita boa gente (no brasil) andou a ganhar dinheiro à custa...dos curiosos! Os tais "experts", "fura redes"...
sábado, janeiro 06, 2007
Estou enjoada deste país
ou a fúria dos justos:
"Trabalho desde os 19 anos ininterruptamente, sustentando com o meu marido uma família. Pago impostos colossais e dos serviços públicos nada recebo a não ser exigências cada vez mais desmedidas, total incompetência e irresponsabilidade, e resmas de papéis para preencher e de impostos, taxas e contribuições de todos os tipos para pagar. Acompanhei - e estou ainda a acompanhar - até à morte os velhos da minha família, sem qualquer ajuda dos serviços públicos, e a custos astronómicos.
Não sou ainda uma pessoa conformada: peço ajuda, sugiro, reclamo, na medida das minhas forças e do tempo disponível. Mas não suporto mais a surdez, a indiferença, a cobardia e a arrogância de quem é suposto servir-nos, que pagamos a custos astronómicos e que há muito se esqueceu da sua função e obrigação primeira! Sinto-me desiludida, espoliada e indignada! Estou farta de sustentar parasitas de todos os tipos e de não poder contar com nada, a não ser a minha família e eu própria. E aviso: "Cuidado com a fúria dos justos". Estamos a atingir o limite da tolerância. Estamos fartos, fartos, fartos! "
(Rosário Vasconcelos, utente dos STCP, certamente enjoada e enojada com este país.)
"Trabalho desde os 19 anos ininterruptamente, sustentando com o meu marido uma família. Pago impostos colossais e dos serviços públicos nada recebo a não ser exigências cada vez mais desmedidas, total incompetência e irresponsabilidade, e resmas de papéis para preencher e de impostos, taxas e contribuições de todos os tipos para pagar. Acompanhei - e estou ainda a acompanhar - até à morte os velhos da minha família, sem qualquer ajuda dos serviços públicos, e a custos astronómicos.
Não sou ainda uma pessoa conformada: peço ajuda, sugiro, reclamo, na medida das minhas forças e do tempo disponível. Mas não suporto mais a surdez, a indiferença, a cobardia e a arrogância de quem é suposto servir-nos, que pagamos a custos astronómicos e que há muito se esqueceu da sua função e obrigação primeira! Sinto-me desiludida, espoliada e indignada! Estou farta de sustentar parasitas de todos os tipos e de não poder contar com nada, a não ser a minha família e eu própria. E aviso: "Cuidado com a fúria dos justos". Estamos a atingir o limite da tolerância. Estamos fartos, fartos, fartos! "
(Rosário Vasconcelos, utente dos STCP, certamente enjoada e enojada com este país.)
Estou enjoada deste país
É nisto que dá ler o jornal, ouvir rádio ou ver televisão. Só apetece vomitar a pátria para a sanita e ir ali ao Norte comprar outra. Estou a começar a ter fortes arrepios de pessimismo com o que vou lendo e ouvindo.
- O governo aumenta os impostos da gasolina, mas não obriga as gasolineiras a baixar os preços, ainda que o gasóleo esteja neste momento a 55 dólares por barril, ou seja, a preços de Junho de 2005.
- O governo criva-nos de impostos directos e indirectos mas recusa-se a criminalizar o enriquecimento ilícito.
- O governo quer esvaziar os sistemas públicos de ensino e o de saúde, supõe-se que para os entregar a preço de saldo aos pivados.
- O governo (e a oposição!) atiram-se a Ana Gomes por ela insistir que algo cheira muito mal na questão dos presos de Guantanamo que terão passado pelas Lajes.
- Etc, etc, etc.
Para isto não era preciso governo, nem era preciso eleições, nem eram precisos partidos com a palavra "socialismo" no nome ou nos estatutos. O Santana Lopes ou o Paulo Portas não teriam feito melhor.
Estou enjoada deste país
do Público de hoje:
"Qual torre de Pisa, o edifício Austral, em Quarteira, desviou-se cerca de 30 centímetros da vertical desde a sua construção, há cerca de cinco anos." O dono da obra, entretanto, desapareceu. A Câmara diz que o alvará de licença de utilização foi passado com base na declaração do técnico responsável pela obra em como garante que a construção está de acordo com o projecto por si feito. Declarações do técnico, a propósito de um defeito grave de construção: "O betão foi efectuado por uma empresa da especialidade, não estive lá nesse dia".
Mais um caso em que me cheira que quem se lixa são os tansos dos portugueses que acreditam na boa fé dos outros.
"Qual torre de Pisa, o edifício Austral, em Quarteira, desviou-se cerca de 30 centímetros da vertical desde a sua construção, há cerca de cinco anos." O dono da obra, entretanto, desapareceu. A Câmara diz que o alvará de licença de utilização foi passado com base na declaração do técnico responsável pela obra em como garante que a construção está de acordo com o projecto por si feito. Declarações do técnico, a propósito de um defeito grave de construção: "O betão foi efectuado por uma empresa da especialidade, não estive lá nesse dia".
Mais um caso em que me cheira que quem se lixa são os tansos dos portugueses que acreditam na boa fé dos outros.
Estou enjoada deste país
do Público de hoje:
"A morte de seis náufragos à beira de uma praia e de uma criança deixada nas mãos de uma família perigosamente disfuncional - tendo sido accionados os serviços responsáveis por prevenir e salvaguardar estas situações, mas que não actuaram por pura incúria - vem demonstrar como o Estado falta em situações em que não devia nem podia falhar." (São José Almeida) Leiam este artigo, pois não lhe posso acrescentar nada, a não ser que o resultado da leitura pode ser uma frase como a que intitula este poste.
"A morte de seis náufragos à beira de uma praia e de uma criança deixada nas mãos de uma família perigosamente disfuncional - tendo sido accionados os serviços responsáveis por prevenir e salvaguardar estas situações, mas que não actuaram por pura incúria - vem demonstrar como o Estado falta em situações em que não devia nem podia falhar." (São José Almeida) Leiam este artigo, pois não lhe posso acrescentar nada, a não ser que o resultado da leitura pode ser uma frase como a que intitula este poste.
Estou enjoada deste país
do público de hoje:
"A direcção de programação da RTP decidiu transferir todos os tempos de antena, emitidos fora do período eleitoral, das 20h00 para as 19h00. A alteração significa que esses programas passarão a ser vistos por metade da audiência habitual, ou seja, terão menos 500 mil espectadores do que quando eram transmitidos minutos antes do início do telejornal." Vá lá, não incomodemos muito as pessoas com informação não tratada primeiro por nós, disseram os membros da direcção, as pessoas já sabem mais do que deviam saber. Pão e circo chegam perfeitamente.
"A direcção de programação da RTP decidiu transferir todos os tempos de antena, emitidos fora do período eleitoral, das 20h00 para as 19h00. A alteração significa que esses programas passarão a ser vistos por metade da audiência habitual, ou seja, terão menos 500 mil espectadores do que quando eram transmitidos minutos antes do início do telejornal." Vá lá, não incomodemos muito as pessoas com informação não tratada primeiro por nós, disseram os membros da direcção, as pessoas já sabem mais do que deviam saber. Pão e circo chegam perfeitamente.
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Caxinas

Caxinas está em LUTO, hoje vão a enterrar 3 Homens do MAR.
Todos os anos há Homens das Caxinas que morrem no mar. Muitos deles não são referenciados pelos meios de informação/comunicação. Não há ano que não morra um pescador em Espanha. Ainda este ano já faleceram 2.
Hoje é mais um dia de luto. Um dia de Tristeza para toda a comunidade piscatória de Caxinas. É uma dia de Emoções. É uma dia de Revolta. É uma dia em que os pescadores dizem adeus a mais 3 colegas de profissão.
O que aconteceu na praia da Nazaré, só acontece em paises subdesenvolvidos. É lamentável que não haja meios de socorro junto às praia, e portos marítimos. É lamentável que se VEJA morrer 6 pessoas da praia, e a revolta pela impotência dos que pretendiam ajudar. É lamentável que se viva num país onde ninguém é culpado.
Só lamento a perda de 6 vidas de Homens do Mar, da minha terra, CAXINAS!
Caxinas é a maior Comunidade Piscatória do país. E depois!?!? NADA!
Enfim!!
p.s: a Igreja Paroquial das Caxinas é uma estrutura de um BARCO, em homenagem a TODA a Comunidade piscatória. Quem não conhece, faça o favor de visitar.
sábado, dezembro 30, 2006
Google is watching you!
Uma das coisas de que me tenho apercebido ultimamente é que o Google é omnipresente. Possui o Gmail, possui o Youtube, possui o “Blogger” (cuidado com o Beta!), acho que até o Skype é deles (esta descobri hoje). Ou seja, com pezinhos de lã entra-me em casa e na vida por todo o lado. Sinto-me a modos que observada e controlada. E isto não me agrada nada.
A primeira vez que me zanguei com o Google foi por causa daquela história do seu portal na China. Os chineses que procurassem no seu motor de busca “Tianamen”, por exemplo, tinham acesso apenas àquilo que o governo chinês e os google-men acordaram. Fiquei tão furibunda que abandonei durante meses a minha caixa de correio googliana. Entretanto, umas almas caridosas que se encarregam de me trazer à terra de vez em quando, lá me foram explicando que não era só o Google, que o Hotmail isto, o Iol aquilo e o Sapo aqueloutro. Lá voltei eu, de rabo entre as pernas e pouco orgulhosa do meu tergiversar, à maior caixa de correio electrónico do mundo, ou coisa que o valha. Isto passou-se e lá me fui esquecendo do assunto.
Aqui há umas semanas voltou a dar-me o béri-béri quando abri um mail de alguém que me falava de depressão. Enquanto lia a carta, apercebi-me de que a publicidade que habitualmente bordeja as mensagens só falava de terapias, prozacs e psicanalistas! Estranho, disse para os meus botões, e fui abrir outras mensagens, tendo deste modo descoberto a pólvora: os tipos violam o meu correio! Detectam palavras-chave e adequam a publicidade ao conteúdo da mensagem!! Estaquei, mas que é isto? É a World Wide Web, estúpida! Mas, se são capazes disto, de que mais serão capazes? E no futuro, como será? Pior: como nos poderemos proteger?
Desde então, fui-me apercebendo da rede tentacular do Google (deve haver outras, claro) e compreendi que o Big Brother do George Orwell pode muito bem já estar alojado no computador de cada um de nós…
A primeira vez que me zanguei com o Google foi por causa daquela história do seu portal na China. Os chineses que procurassem no seu motor de busca “Tianamen”, por exemplo, tinham acesso apenas àquilo que o governo chinês e os google-men acordaram. Fiquei tão furibunda que abandonei durante meses a minha caixa de correio googliana. Entretanto, umas almas caridosas que se encarregam de me trazer à terra de vez em quando, lá me foram explicando que não era só o Google, que o Hotmail isto, o Iol aquilo e o Sapo aqueloutro. Lá voltei eu, de rabo entre as pernas e pouco orgulhosa do meu tergiversar, à maior caixa de correio electrónico do mundo, ou coisa que o valha. Isto passou-se e lá me fui esquecendo do assunto.
Aqui há umas semanas voltou a dar-me o béri-béri quando abri um mail de alguém que me falava de depressão. Enquanto lia a carta, apercebi-me de que a publicidade que habitualmente bordeja as mensagens só falava de terapias, prozacs e psicanalistas! Estranho, disse para os meus botões, e fui abrir outras mensagens, tendo deste modo descoberto a pólvora: os tipos violam o meu correio! Detectam palavras-chave e adequam a publicidade ao conteúdo da mensagem!! Estaquei, mas que é isto? É a World Wide Web, estúpida! Mas, se são capazes disto, de que mais serão capazes? E no futuro, como será? Pior: como nos poderemos proteger?
Desde então, fui-me apercebendo da rede tentacular do Google (deve haver outras, claro) e compreendi que o Big Brother do George Orwell pode muito bem já estar alojado no computador de cada um de nós…
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Todos precisamos de um
Pegada ecológica
Descobri um fantástico blogue cheio de informação sobre como seguir uma via ecológica. Dêem lá um saltito, mas vão com tempo porque vale mesmo a pena! Chama-se BIOTERRA e é escrito pelo João Soares.
terça-feira, dezembro 26, 2006
A esperança é a base de toda a visão de esquerda
Here are six reasons to be optimistic in 2007
Hope is the basis of all leftish politics
por Johann Hari
Ho, ho, ho. As a columnist, it’s always easier to look out over the world’s agonies and offer your readers reasons to be miserable. “Lots of people lived free, happy lives today” is never much of a headline. So right now I could serve up a Boxing Day dish of global warming, nuclear proliferation, the implosion of Iraq, and the starvation of Africa with a sprig of parsley, and it would all be true and terrifying. But today – in our bloated post-Christmas glow – is a good day to remember that hope is the basis of all good leftish politics.
It’s no coincidence that the most liberal American President of the twentieth century – Franklin Roosevelt – declared “we have nothing to fear but fear itself”, while his most conservative successor, George W. Bush, seems determined to keep Americans in a constant state of amber-alert anxiety. So here is something I should do more often. Here is a bouquet of reasons to feel hope.
Ler mais aqui.
Hope is the basis of all leftish politics
por Johann Hari
Ho, ho, ho. As a columnist, it’s always easier to look out over the world’s agonies and offer your readers reasons to be miserable. “Lots of people lived free, happy lives today” is never much of a headline. So right now I could serve up a Boxing Day dish of global warming, nuclear proliferation, the implosion of Iraq, and the starvation of Africa with a sprig of parsley, and it would all be true and terrifying. But today – in our bloated post-Christmas glow – is a good day to remember that hope is the basis of all good leftish politics.
It’s no coincidence that the most liberal American President of the twentieth century – Franklin Roosevelt – declared “we have nothing to fear but fear itself”, while his most conservative successor, George W. Bush, seems determined to keep Americans in a constant state of amber-alert anxiety. So here is something I should do more often. Here is a bouquet of reasons to feel hope.
Ler mais aqui.
CONTRA A IMPLEMENTAÇÃO DA EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA TLEBS (TERMINOLOGIA LINGUÍSTICA PARA OS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO)
Mais uma petição de cidadãos fartos da prepotência dos seus governantes e que resolveram agir como podem. Porque o exercício da cidadania não se pode esgotar no dia das eleições .
- O Estado Português permitiu-se introduzir na Escolaridade Obrigatória conteúdos experimentais não validados ou em fase de validação.
(...)
- O esforço de aprendizagem que é exigido aos alunos pode ser inconsequente: o Ministério da Educação já admitiu parar ou rever o processo no final deste ano lectivo.
(...)
- Uma das linguistas responsáveis pela TLEBS, a Professora Catedrática Maria Helena Mira Mateus, afirmou à Antena 2, em entrevista transmitida no programa Um Certo Olhar, haver termos na TLEBS com os quais “não concorda muito”. A gravação áudio da entrevista está disponível nos arquivos da Rádio Difusão Portuguesa e também em http://www.goear.com/listen.php?v=992ab36 e em http://www.bolt.com/contratlebs/music/TLEBSEntrevista_Maria_Hel/2773513
(...)
- A Associação de Professores de Português, apesar de ser a favor da TLEBS, “não sabe ainda se esta terminologia é a terminologia de que o sistema educativo tem necessidade” e manifestou-se publicamente contra o alargamento da experiência pedagógica a toda a população escolar: “não se pode testar uma vacina da gripe inoculando toda a população”, foram palavras do seu Presidente.
- A formação de professores ainda está em curso. A nova TLEBS está a ser ministrada aos alunos sem que tivesse sido completada a formação dos professores. Os professores estão a ensinar o que ainda não sabem. A Associação de Professores de Português está com dificuldades em conseguir dar formação a todos os professores, atempadamente.
- Os alunos de 12º ano, depois de 11 anos a aprenderem Gramática Portuguesa fazendo uso da terminologia tradicional, vão ser avaliados, já este ano, pelo conhecimento que têm da Gramática Portuguesa segundo a nova TLEBS. Os exames de 12º ditam o acesso à Universidade. Há um futuro em jogo. Há um passado de estudo, esforço e trabalho que é deitado ao lixo.
(...)"
Já muito se tem escrito sobre esta estopada da TLEBS, os porta-vozes do nosso descontentamento têm sido os fazedores de opinião mais conhecidos: o Graça Moura e o Prado Coelho, por exemplo. Claro que, a mim, o facto de estes senhores se insurgirem contra a TLEBS pôs-me instintivamente a pensar: se eles são contra então eu não posso ser... Mas, reconheço, que de vez em quando eles pensam bem (mas atenção, muito de longe a longe!)
Entretanto, a contestação chega já, também, aos Encarregados de Educação (enquanto foram só os profissionais do ensino da Língua Portuguesa os descontentes, poucos consideraram a nossa opinião, note-se). E esta petição, de que acima transcrevo um excerto, é da iniciativa dos pais, sendo por isso de louvar ainda mais.
Por isso, leiam atentamente e, se concordarem, assinem que "não dói nada". E, já agora, divulguem.
segunda-feira, dezembro 25, 2006
O melhor de mim
sábado, dezembro 23, 2006
Lembranças
Ate o Fim - Chico Buarque e Ney Matogrosso
Esta prenda é para os meus queridos Major Tom e Venus as a Boy.
Esta prenda é para os meus queridos Major Tom e Venus as a Boy.
Lembranças
Dido's Lament - de Dido e Eneias (1689), de Henry Purcell
Esta prenda vai directinha para a família feliz: Passo Largo, Senhora do Monte y sus muchachos(a).
Esta prenda vai directinha para a família feliz: Passo Largo, Senhora do Monte y sus muchachos(a).
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Lembranças
Tom Waits - 'Small Change/Closing Time' London 1979
Esta é a minha prenda natalícia para o Barba de Milho.
Esta é a minha prenda natalícia para o Barba de Milho.
Lembranças
Monty Python - The Spanish Inquisition
Esta é a minha prenda natalícia para o Zimbro Vermelho.
Esta é a minha prenda natalícia para o Zimbro Vermelho.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Sublinhados
...natalícios:
" Aí jaz [a plebe], espalhada pela Cidade, como esterco vil que fecunda a Cidade. Os séculos rolam; e sempre imutáveis farrapos lhe cobrem o corpo, e sempre debaixo deles, através do longo dia, os homens labutarão e as mulheres chorarão. E com este labor e este pranto dos pobres, meu Príncipe, se edifica a abundância da Cidade! Ei-la agora coberta de moradas em que eles se não abrigam; armazenada de estofos, com que eles se não agasalham; abarrotada de alimentos, com que eles se não saciam!"
Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, pág.88-9, ed. Livros do Brasil
" Aí jaz [a plebe], espalhada pela Cidade, como esterco vil que fecunda a Cidade. Os séculos rolam; e sempre imutáveis farrapos lhe cobrem o corpo, e sempre debaixo deles, através do longo dia, os homens labutarão e as mulheres chorarão. E com este labor e este pranto dos pobres, meu Príncipe, se edifica a abundância da Cidade! Ei-la agora coberta de moradas em que eles se não abrigam; armazenada de estofos, com que eles se não agasalham; abarrotada de alimentos, com que eles se não saciam!"
Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, pág.88-9, ed. Livros do Brasil
terça-feira, dezembro 19, 2006
Banda sonora
La polla records - No somos nada
Queridos amiguitos, en este mundo todo está bajo control...
¿todo? ¡No! Una aldea poblada por irreductibles galos
resiste ahora y siempre al invasor con una poción mágica
que los hace invencibles: el cerebro!
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar,
por eso nunca, nunca votamos para la Alianza Popular,
ni al PSOE ni a sus traidores ni a ninguno de los demás
Somos los nietos de los que perdieron la Guerra Civil
¡No somos nada!
¡No somos nada!
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar,
No somos punk, ni mod, ni heavy, rocker, ni skin, ni tecno
Quréis engañarnos, pero no podéis; tampoco tenemos precio
Vosotros veréis qué hacéis, nosotros ¡ya veremos!
¡No somos nada!
¡No somos nada!
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar
Somos los nietos de los que perdieron la Guerra Civil
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar
Somos los nietos de los que perdieron la Guerra Civil
¡No somos nada!
¡No somos nada!
Quieres identificarnos, tienes un problema (4x)
Queridos amiguitos, en este mundo todo está bajo control...
¿todo? ¡No! Una aldea poblada por irreductibles galos
resiste ahora y siempre al invasor con una poción mágica
que los hace invencibles: el cerebro!
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar,
por eso nunca, nunca votamos para la Alianza Popular,
ni al PSOE ni a sus traidores ni a ninguno de los demás
Somos los nietos de los que perdieron la Guerra Civil
¡No somos nada!
¡No somos nada!
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar,
No somos punk, ni mod, ni heavy, rocker, ni skin, ni tecno
Quréis engañarnos, pero no podéis; tampoco tenemos precio
Vosotros veréis qué hacéis, nosotros ¡ya veremos!
¡No somos nada!
¡No somos nada!
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar
Somos los nietos de los que perdieron la Guerra Civil
Somos los nietos de los obreros que nunca pudisteis matar
Somos los nietos de los que perdieron la Guerra Civil
¡No somos nada!
¡No somos nada!
Quieres identificarnos, tienes un problema (4x)
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Sugestões natalícias

... do país do crocodilo:
E que tal apadrinhar/amadrinhar um orfão timorense? É só ir ao sítio da Tanetimor e procurar em campanhas. Não é caro e serve para pôr à prova o famoso espírito natalício de toda a gente: em vez de comprarmos algumas prendas tão caras para as nossas crianças, patrocinamos a educação e a alimentação de outras em Timor. Segundo a Tane Timor, um dos objectivos é que todas as crianças bebam leite todos os dias... Simples, não parece?
Vá lá, não custa assim tanto!
P.S. Em frente à casa do Infante, no Porto, esta associação tem uma venda de Natal com artesanato e arte para angariar fundos para os orfanatos com que trabalha - mais uma boa ideia!
Sugestões Natalícias
Comprar prendas no Comércio Justo por um consumo responsável!
Princípios do Comércio Justo
Os princípios do Comércio Justo são:
Princípios do Comércio Justo
Os princípios do Comércio Justo são:
- o respeito e preocupação pelas pessoas e o meio ambiente.
- existência de boas condições de trabalho e o pagamento de um preço justo aos produtores, que cubra os custos de produção, possibilite um rendimento digno e permita a protecção ambiental e de segurança económica.
- a abertura e transparência da estrutura das organizações e de todos os aspectos da sua actividade.
- a informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os produtos e métodos de comercialização.
- o envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam.
- a protecção e a promoção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, crianças e povos indígenas.
- a protecção do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável.
o estabelecimento de relações comerciais estáveis e de longo prazo. - a promoção de actividades de informação, educação e de campanhas de sensibilização.
- a produção tão completa quanto possível dos produtos nos países de origem.
Neste momento, existem já lojas de Comércio Justo nas seguintes cidades portuguesas (entre parêntesis a entidade responsável):
- Almada (Mó de Vida);
- Amarante (Aventura Marão Clube);
- Braga (Alternativa);
- Barcelos (Alternativa);
- Coimbra (AJP, Planeta Sul);
- Guimarães (Côr da Tangerina);
- Faro (ARCA);
- Lisboa (Cores do Globo);
- Palmela (Mó de Vida);
- Peniche (Terra Justa);
- Porto (Reviravolta).
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Por que há-de a homossexualidade ser um crime?
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Quero dormir
Hoje acordei com (mt) sono.
Ouvi dizer que comer uma maçã é o melhor "alimento" para acordar.
Vou experimentar!
Ouvi dizer que comer uma maçã é o melhor "alimento" para acordar.
Vou experimentar!
terça-feira, dezembro 12, 2006
Eu, Carolina!
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Parabéns, Medronho!
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Conhecer o Porto

A Porto Vivo propõe que passeemos pelo Porto:
"Pelo Porto Industrial (16/12/2006), pelo Porto dos Artesãos (13/01/07), pelo Porto das Quintas (24/02/07), pelo Porto dos Cafés (10/03/07), pelo Porto dos Barcos (21/04/07), pelo Porto dos Merceeiros , pelo Porto dos Teatros... "
Depois não digam que eu não vos disse nada...
Televisão
Sou cliente da TV Cabo por satélite.
No dia 17/11 (dia de temporal em Portugal) fiquei sem sinal do satélite. Com o tempo que está é (quase) impossivel ir ao telhado sintonizar a antena parabólica. Já tinha a noção do que é ver os 4 canais generalistas portugueses, mas agora, tenho a certeza que o melhor é não ter televisão.
A programação apresentada é MÁ de mais para ser verdade. É só concursos (RTP1) e telenovelas (SIC e TVI). O Canal 2, está em baixo de forma.
Para se ver TV de qualidade só a pagar.
Enfim!
No dia 17/11 (dia de temporal em Portugal) fiquei sem sinal do satélite. Com o tempo que está é (quase) impossivel ir ao telhado sintonizar a antena parabólica. Já tinha a noção do que é ver os 4 canais generalistas portugueses, mas agora, tenho a certeza que o melhor é não ter televisão.
A programação apresentada é MÁ de mais para ser verdade. É só concursos (RTP1) e telenovelas (SIC e TVI). O Canal 2, está em baixo de forma.
Para se ver TV de qualidade só a pagar.
Enfim!
quarta-feira, dezembro 06, 2006
terça-feira, dezembro 05, 2006
Chuva
domingo, dezembro 03, 2006
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Notícias de outro planeta
Doentes com cancro indemnizados
por espera de tratamento na Dinamarca
Os dinamarqueses doentes de cancro e que não foram tratados no prazo máximo de espera previsto, muitas vezes com prejuízo para o seu estado de saúde, vão poder ser indemnizados, determinou ontem o grupo responsável por fixar as compensações a que vão ter direito.
"É possível que esta demora tenha custado a vida a algumas pessoas", alega esta entidade, que terá agora de decidir para cada um dos doentes a gravidade das consequências da falha do sistema de saúde dinamarquês.De acordo com um diário local, citado pela AFP, o montante das indemnizações poderá variar entre as 30 mil coroas dinamarquesas (cerca de quatro mil euros) e "muitos milhões de coroas".
Na Dinamarca, um doente com cancro deve ser tratado normalmente num espaço máximo de quatro semanas. Mas há muitas pessoas que têm de esperar oito a dez semanas, lê-se na edição electrónica do Politiken. No caso dos doentes já falecidos, serão os familiares mais próximos a receber a indemnização.
Retirado do Público online de hoje
por espera de tratamento na Dinamarca
Os dinamarqueses doentes de cancro e que não foram tratados no prazo máximo de espera previsto, muitas vezes com prejuízo para o seu estado de saúde, vão poder ser indemnizados, determinou ontem o grupo responsável por fixar as compensações a que vão ter direito.
"É possível que esta demora tenha custado a vida a algumas pessoas", alega esta entidade, que terá agora de decidir para cada um dos doentes a gravidade das consequências da falha do sistema de saúde dinamarquês.De acordo com um diário local, citado pela AFP, o montante das indemnizações poderá variar entre as 30 mil coroas dinamarquesas (cerca de quatro mil euros) e "muitos milhões de coroas".
Na Dinamarca, um doente com cancro deve ser tratado normalmente num espaço máximo de quatro semanas. Mas há muitas pessoas que têm de esperar oito a dez semanas, lê-se na edição electrónica do Politiken. No caso dos doentes já falecidos, serão os familiares mais próximos a receber a indemnização.
Retirado do Público online de hoje
quinta-feira, novembro 30, 2006
quarta-feira, novembro 29, 2006
Cesariny (1923-2006)
ditirambo
Meu maresperantotòtémico
minha màlanimatógrafurriel
minha noivadiagem serpente
meu èliòtròpolipo polar
meu fiambre de sol de roseira
minha musa amiantulipálida
meu lustrefrenado céu grande
minha afiàurora-manhã
minha fôgoécia de estátuas
minha lábioquimia cerrada
minha ponta na terra meu arsgrima
meu diamantermita acordado!
Pena Capital
Meu maresperantotòtémico
minha màlanimatógrafurriel
minha noivadiagem serpente
meu èliòtròpolipo polar
meu fiambre de sol de roseira
minha musa amiantulipálida
meu lustrefrenado céu grande
minha afiàurora-manhã
minha fôgoécia de estátuas
minha lábioquimia cerrada
minha ponta na terra meu arsgrima
meu diamantermita acordado!
Pena Capital
terça-feira, novembro 28, 2006
Cesariny (1923-2006)
poema
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
domingo, novembro 26, 2006
Agenda Cesariny
Cesariny (1923-2006)

you are welcome to elsinore *
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos a morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever de falar
Mário Cesariny, Pena Capital
*Elsinore: onde a acção do Hamlet, de Shakespeare, se passa e onde ocorre o seguinte diálogo:
"Polonius: (...) What do you read, my lord?
Hamlet: Words, words, words."
sábado, novembro 25, 2006
Banda Sonora
Funeral de um lavrador -
Chico Buarque
Letra: João Cabral de Melo Neto
Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.
Chico Buarque
Letra: João Cabral de Melo Neto
Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.
Banda Sonora
Tracy Chapman - Talking About A Revolution acoustic
Don't you know
They’re talkin’ bout a revolution
It sounds like a whisper
Don’t you know
They’re talkin’ about a revolution
It sounds like a whisper
While they’re standing in the welfare lines
Crying at the doorsteps of those armies of salvation
Wasting time in the unemployment lines
Sitting around waiting for a promotion
Poor people gonna rise up
And get their share
Poor people gonna rise up
And take what’s theirs
Don’t you know
You better run, run, run...
Oh I said you better
Run, run, run...
Finally the tables are starting to turn
Talkin’ bout a revolution
Don't you know
They’re talkin’ bout a revolution
It sounds like a whisper
Don’t you know
They’re talkin’ about a revolution
It sounds like a whisper
While they’re standing in the welfare lines
Crying at the doorsteps of those armies of salvation
Wasting time in the unemployment lines
Sitting around waiting for a promotion
Poor people gonna rise up
And get their share
Poor people gonna rise up
And take what’s theirs
Don’t you know
You better run, run, run...
Oh I said you better
Run, run, run...
Finally the tables are starting to turn
Talkin’ bout a revolution
sexta-feira, novembro 24, 2006
Piscina de Inverno
Parece que a piada que sempre dizia quando contava que tinha comprado esta casa ('tem piscina de inverno') se vai concretizar hoje... A água está a vinte metros da casa e o Vougão lá vai subindo paulatina mas seguramente. Já retirámos os livros da sala de baixo, estacionámos o carro mais acima e estamos a pôr sacos de areia à porta.
Daqui a um bocado, vamos acender a lareira e esperar pela visita da água. Não há-de ser nada, né?
Daqui a um bocado, vamos acender a lareira e esperar pela visita da água. Não há-de ser nada, né?
quinta-feira, novembro 23, 2006
Agenda contra os eucaliptos
4º Campo de Trabalho Voluntário no Cabeço Santo
(Serra do Caramulo)
O Projecto “Cabeço Santo” tem como objectivo central a realização de acções que promovam a biodiversidade e minimizem os estragos provocados pela presença de espécies invasoras associadas à ocorrência do fogo, que concorrem para uma dramática degradação da já escassa e pressionada flora espontânea daquele monte. Neste sentido realizaram-se já três Campos de Trabalho Voluntário desde o início de Setembro. O primeiro e o segundo foram exclusivamente dedicados à eliminação de flora invasora, no terceiro fez-se uma sementeira de bolas de sementes numa área antes ocupada por eucaliptos.
Entretanto, e depois de uma empresa madeireira ter retirado a maior parte dos eucaliptos de uma zona plantada do terreno que será em breve adquirido pelo Fundo de Conservação da Quercus, verifica-se que alguns eucaliptos queimados, juntamente com um elevado número de rebentos, foram deixados em zonas mais sensíveis e de mais difícil acesso. Estes eucaliptos e respectivos rebentos devem agora ser retirados, e se o forem o mais cedo possível, maximiza-se a probabilidade de não voltarem a rebentar no próximo ano. Por outro lado, no vale ficou um conjunto muito desordenado de ramos de mimosa que necessitam de ser removidos, sob pena de um futuro controlo das plantas emergentes ficar muito dificultado.
Alguns dos trabalhos a serem realizados requererão a contribuição de pelo menos um homem não voluntário, mas os restantes estão abertos à participação de voluntários. Deste modo, propõe-se a realização de um 4º Campo de Trabalho Voluntário, a realizar no Sábado, 2 de Dezembro. Dado que estamos num período de instabilidade atmosférica, caso o tempo não o permita no dia 2, o Campo passará automaticamente para 9, podendo os inscritos confirmar ou retirar a sua inscrição caso isso se verifique. De referir que, se o tempo o permitir, os trabalhos mais urgentes e estritamente necessários serão realizados, mesmo sem a participação de voluntários, no dia 2.
O almoço e o lanche (no campo) serão fornecidos aos participantes. Quem preferir alimentação vegetariana, deverá assinalar o facto no acto da inscrição. A saída de Aveiro será pelas 8:00 horas (junto à Sede da Quercus) e a partida para o Cabeço Santo, em Belazaima, pelas 9:00 horas (da Junta de Freguesia de Belazaima, sem atraso!). A chegada a Aveiro será cerca das 19:00 horas. As inscrições são gratuitas, devendo ser efectuadas via correio electrónico para aveiro@quercus.pt ou via telefónica para 966551372, indicando o nome completo, contacto telefónico, data de nascimento e freguesia de residência. Também deverá indicar se necessita de transporte para Belazaima.
Participem e Divulguem!
Núcleo Regional de Aveiro da Quercus - A.N.C.N.
Correio-p: Apartado 363; 3811-905 AVEIRO;
Correio-e: mailto:aveiro@quercus.pt;
W.W.W. U.R.L.: http://aveiro.quercus.pt
Sede: Urb. de Santiago, Bl. 25 - R/C F, Aveiro;
Abertura: segundas, terças e quintas, das 19h às 20h;
Tel.: 966551372.
Abertura: segundas, terças e quintas, das 19h às 20h;
Tel.: 966551372.
(recebido por mail e reproduzido sem autorização prévia, mas como é por uma boa causa...)
Sublinhados
Discurso contra o Lirismo
Meus senhores:
Tomo a palavra por um dever de consciência e peço toda a vossa atenção, porque vou dizer coisas muito sérias. Penso que chegou a hora de definir posições, de tomar partido por ou contra, para que se extremem os campos e cada um de nós conheça o lugar que ocupa. É imperioso. É urgente. É inadiável. E espero firmemente que saiamos daqui mais seguros das nossas certezas e sabendo, de uma vez por todas, onde estão e quem são os nossos adversários.
Anda por aí, em inesperada revivescência, contrariando e minando os nossos esforços para a objectividade e a frieza, sem as quais nada de útil se pode construir, uma antiga doença que fez muito mal ao mundo em tempos passados. Falo do lirismo. Afirmo que é uma doutrina perniciosa. Perniciosos são os seus propagadores, sujeitos doentíssimos, intoxicados, verdadeiros focos ambulantes de infecção. Chamam-se a si próprios poetas. É também esse o nome que lhes damos, mas, felizmente, nós conseguimos, por um disciplinado trabalho das cordas vocais, ajudado por uma certa expressão do rosto, transformar essa palavra em injúria. Que eles merecem, diga-se de passagem.
Torno a pedir a vossa atenção. Não gosto de vos ver distraídos, só porque o sol está realmente bonito e anda ali um pombo a esvoaçar. Os pombos, tenho-o dito muitas vezes, são mais nocivos do que se julga. Lá fora, isso foi reconhecido. Tomaram-se providências adequadas para salvaguarda dos monumentos e da saúde pública.
Mas volto aos poetas, agora que o contínuo desta sociedade já fechou as janelas. Os poetas deviam ser eliminados, pura e simplesmente. Impõem-se atitudes drásticas, radicais, que não deixem pedra sobre pedra, quer dizer, verso sobre verso. Esta gente distribui papéis onde aparecem certas palavras que deveriam ser riscadas dos dicionários. Direi algumas, embora a minha formação espiritual se revolte contra a violência a que, por dever de objectividade, me obrigo. Amor, esperança, saudade, rosa, mar – eis algumas dessas palavras. Uma pequena amostra de um vocabulário decadente, inoportuno, direi mesmo subversivo. Como se isto não bastasse, os poetas (notaram a maneira como eu articulei a palavra?) tiram da sua maliciosa actividade uma não sei que insuportável arrogância, um desdém olímpico que nos faz estremecer de indignação. Alguns cobrem-se com uma capa de modéstia e de humildade que, à primeira vista, engana. São os piores. Com o seu ar de mansidão, que, dizem eles, lhes vem de um particular conhecimento do mundo, aliciam alguns dos nossos melhores elementos, pervertem-nos, desviam-nos das tarefas essenciais. Afirmam eles que também sabem alguma coisa de tarefas essenciais. Desconfiai, amigos. Entre nós e eles nada há de comum. O poeta é o nosso inimigo principal. Só quando conseguirmos arrancar esta lepra da face da terra poderemos viver em paz.
Sei que estou sendo escutado com atenção, que cada palavra que profiro reforça a nossa unidade, mas não posso deixar de notar uma certa (como direi?), uma certa flutuação na sala. Não posso compreender a atitude de alguns presentes que seguem com os olhos o fumo dos cigarros. Ou é distracção, ou perversão, ou nenhum respeito pelo conferencista. De qualquer modo, é lamentável. Também não sei que interesse encontram na garrafa da água. Por mim, não vejo nela mais do que uns efeitos de luz, refracções luminosas que qualquer manual de física elementar explica. E declaro que me está a irritar a cantoria dos pássaros (ou serão crianças?) que vem lá de fora. E esse senhor, ao fundo, que foi que lhe deu, para se pôr agora a sorrir? E o senhor, sim, o senhor, por que se levanta e vai abrir as janelas? Para que é este sol? E o verde dessas árvores? E por que não se calam as crianças? Ou serão pássaros?
Meus senhores, sinto-me profundamente desgostoso. A sessão está encerrada. Tenho dito.
José Saramago, Deste Mundo e do Outro
Meus senhores:
Tomo a palavra por um dever de consciência e peço toda a vossa atenção, porque vou dizer coisas muito sérias. Penso que chegou a hora de definir posições, de tomar partido por ou contra, para que se extremem os campos e cada um de nós conheça o lugar que ocupa. É imperioso. É urgente. É inadiável. E espero firmemente que saiamos daqui mais seguros das nossas certezas e sabendo, de uma vez por todas, onde estão e quem são os nossos adversários.
Anda por aí, em inesperada revivescência, contrariando e minando os nossos esforços para a objectividade e a frieza, sem as quais nada de útil se pode construir, uma antiga doença que fez muito mal ao mundo em tempos passados. Falo do lirismo. Afirmo que é uma doutrina perniciosa. Perniciosos são os seus propagadores, sujeitos doentíssimos, intoxicados, verdadeiros focos ambulantes de infecção. Chamam-se a si próprios poetas. É também esse o nome que lhes damos, mas, felizmente, nós conseguimos, por um disciplinado trabalho das cordas vocais, ajudado por uma certa expressão do rosto, transformar essa palavra em injúria. Que eles merecem, diga-se de passagem.
Torno a pedir a vossa atenção. Não gosto de vos ver distraídos, só porque o sol está realmente bonito e anda ali um pombo a esvoaçar. Os pombos, tenho-o dito muitas vezes, são mais nocivos do que se julga. Lá fora, isso foi reconhecido. Tomaram-se providências adequadas para salvaguarda dos monumentos e da saúde pública.
Mas volto aos poetas, agora que o contínuo desta sociedade já fechou as janelas. Os poetas deviam ser eliminados, pura e simplesmente. Impõem-se atitudes drásticas, radicais, que não deixem pedra sobre pedra, quer dizer, verso sobre verso. Esta gente distribui papéis onde aparecem certas palavras que deveriam ser riscadas dos dicionários. Direi algumas, embora a minha formação espiritual se revolte contra a violência a que, por dever de objectividade, me obrigo. Amor, esperança, saudade, rosa, mar – eis algumas dessas palavras. Uma pequena amostra de um vocabulário decadente, inoportuno, direi mesmo subversivo. Como se isto não bastasse, os poetas (notaram a maneira como eu articulei a palavra?) tiram da sua maliciosa actividade uma não sei que insuportável arrogância, um desdém olímpico que nos faz estremecer de indignação. Alguns cobrem-se com uma capa de modéstia e de humildade que, à primeira vista, engana. São os piores. Com o seu ar de mansidão, que, dizem eles, lhes vem de um particular conhecimento do mundo, aliciam alguns dos nossos melhores elementos, pervertem-nos, desviam-nos das tarefas essenciais. Afirmam eles que também sabem alguma coisa de tarefas essenciais. Desconfiai, amigos. Entre nós e eles nada há de comum. O poeta é o nosso inimigo principal. Só quando conseguirmos arrancar esta lepra da face da terra poderemos viver em paz.
Sei que estou sendo escutado com atenção, que cada palavra que profiro reforça a nossa unidade, mas não posso deixar de notar uma certa (como direi?), uma certa flutuação na sala. Não posso compreender a atitude de alguns presentes que seguem com os olhos o fumo dos cigarros. Ou é distracção, ou perversão, ou nenhum respeito pelo conferencista. De qualquer modo, é lamentável. Também não sei que interesse encontram na garrafa da água. Por mim, não vejo nela mais do que uns efeitos de luz, refracções luminosas que qualquer manual de física elementar explica. E declaro que me está a irritar a cantoria dos pássaros (ou serão crianças?) que vem lá de fora. E esse senhor, ao fundo, que foi que lhe deu, para se pôr agora a sorrir? E o senhor, sim, o senhor, por que se levanta e vai abrir as janelas? Para que é este sol? E o verde dessas árvores? E por que não se calam as crianças? Ou serão pássaros?
Meus senhores, sinto-me profundamente desgostoso. A sessão está encerrada. Tenho dito.
José Saramago, Deste Mundo e do Outro
quarta-feira, novembro 22, 2006
Festa da Música
O que é a Cultura? Para que serve? Quem a utilizada? Tem que ser grátis, e/ou subsídiada?
É verdade que o "povo" português, num todo, é ignorante culturalmente? Que não frequenta museus, teatros, cinema, exposições, lançamentos de livros....? Isto tudo é verdade?
E o que dizer do sucesso do Museu de Serralves? Caso único?! Será? E a FESTA DA MÚSICA em Lisboa? E a biblioteca de Guimarães? E tantos outros exemplos pelo país, casos isolados?
Todos os anos ouço, vejo na televisão que os bilhetes para a Festa da Música em Lisboa esgotam (em muitos concertos uns dias antes) rápidamente. Era um caso de sucesso. Um caso impar, para um país ignorante (?)
Se o projecto da Festa da Música tinha muita audiência, por que razão acabar com o que está bem?
Segundo a ministra da Cultura (?) não é por causa dos cortes orçamentais, mas sim criar um novo projecto. Será isto credível?
Onde estão as reacções, como as que se fizeram com o Rivoli, no Porto?
É verdade que o "povo" português, num todo, é ignorante culturalmente? Que não frequenta museus, teatros, cinema, exposições, lançamentos de livros....? Isto tudo é verdade?
E o que dizer do sucesso do Museu de Serralves? Caso único?! Será? E a FESTA DA MÚSICA em Lisboa? E a biblioteca de Guimarães? E tantos outros exemplos pelo país, casos isolados?
Todos os anos ouço, vejo na televisão que os bilhetes para a Festa da Música em Lisboa esgotam (em muitos concertos uns dias antes) rápidamente. Era um caso de sucesso. Um caso impar, para um país ignorante (?)
Se o projecto da Festa da Música tinha muita audiência, por que razão acabar com o que está bem?
Segundo a ministra da Cultura (?) não é por causa dos cortes orçamentais, mas sim criar um novo projecto. Será isto credível?
Onde estão as reacções, como as que se fizeram com o Rivoli, no Porto?
terça-feira, novembro 21, 2006
desinspirações
seis coisas que não interessam nem ao menino jesus:
1. Odeio despertadores!
2. Adio sempre o momento de ir dormir, seja lá a que horas tenha que me levantar no dia seguinte.
3. Gostava de saber distinguir pelo nome os pássaros uns dos outros - e as árvores também.
4. O meu sonho climatérico: acompanhar o Verão numa volta "eterna" ao mundo. Detesto frio.
5. Detesto gente que, em vez de conversar, monologa.
6. Gostava de gostar de arrumar, passar a ferro, limpar, cozinhar, etc. Mas não gosto.
Passo este desafio vindo da Mary há séculos para: o Medronho, a Fabi, Venus as a Boy e Major Tom, à I e se mais alguém quiser também pode...
1. Odeio despertadores!
2. Adio sempre o momento de ir dormir, seja lá a que horas tenha que me levantar no dia seguinte.
3. Gostava de saber distinguir pelo nome os pássaros uns dos outros - e as árvores também.
4. O meu sonho climatérico: acompanhar o Verão numa volta "eterna" ao mundo. Detesto frio.
5. Detesto gente que, em vez de conversar, monologa.
6. Gostava de gostar de arrumar, passar a ferro, limpar, cozinhar, etc. Mas não gosto.
Passo este desafio vindo da Mary há séculos para: o Medronho, a Fabi, Venus as a Boy e Major Tom, à I e se mais alguém quiser também pode...
segunda-feira, novembro 20, 2006
O fim do curto verão, o fim do sonho

Buenaventura Durrutti
14.07.96 - 20.11.36
Hijos del pueblo
Hijo del pueblo,
te oprimen cadenas,
y esa injusticia no puede seguir;
si tu existencia es un mundo de penas
antes que esclavo prefiere morir.
En la batalla, la hiena fascista.
por nuestro esfuerzo sucumbirá;
y el pueblo entero, con los anarquistas,
hará que triunfe la libertad.
Trabajador, no más sufrir,
el opresor ha de sucumbir.
Levántate, pueblo leal,
al grito de revolución social.
Fuerte unidad de fe y de acción
producirá la revolución.
Nuestro pendón uno ha de ser:
sólo en la unión está el vencer.
(Para ouvir clicar aqui e esperar pacientemente que o intróito instrumental passe:
http://idd003x0.eresmas.net/mp3/Hijos%20del%20Pueblo.mp3)
quinta-feira, novembro 16, 2006
Sublinhados
"Podes argumentar que César planeia muitas reformas que serão benéficas.(...) Só posso alertar para o seguinte: os meios pelos quais uma reforma é efectuada podem vir a negar os benefícios que, em outras circunstâncias, essa reforma poderia trazer. (...) César pode continuar a exibir o seu respeito pelas instituições enquanto as vai minando por dentro."
in César, de Alan Massie, trad. Armando Silva Cravalho
Será que algum dos nossos cinco leitores pode fazer chegar estas observações do General Labieno a algum membro razoável do governo? Obrigada.
Já agora, se algum dos leitores conhecer alguém da editora Gradiva, transmitam esta mensagem: investir num bom tradutor e esquecerem-se de contratar um revisor de texto é um disparate que só nos pode fazer querer deitar o livro que estamos a ler ao lixo e nunca mais comprar nenhum editado por essa chancela? Obrigadinha também - não é tão importante mas se as editoras fossem mais cuidadosas eu às vezes era mais feliz...
in César, de Alan Massie, trad. Armando Silva Cravalho
Será que algum dos nossos cinco leitores pode fazer chegar estas observações do General Labieno a algum membro razoável do governo? Obrigada.
Já agora, se algum dos leitores conhecer alguém da editora Gradiva, transmitam esta mensagem: investir num bom tradutor e esquecerem-se de contratar um revisor de texto é um disparate que só nos pode fazer querer deitar o livro que estamos a ler ao lixo e nunca mais comprar nenhum editado por essa chancela? Obrigadinha também - não é tão importante mas se as editoras fossem mais cuidadosas eu às vezes era mais feliz...
Agenda
PALESTRA
tema. BIODIESEL
palestrante. Professora Doutora Mª da Conceição Alvim Ferraz
data. 17 Novembro 2006
local. Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira
organização. Universidade Sénior de Santa Maria da Feira
tema. BIODIESEL
palestrante. Professora Doutora Mª da Conceição Alvim Ferraz
data. 17 Novembro 2006
local. Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira
organização. Universidade Sénior de Santa Maria da Feira
Publicar um livro
Queres publicar um livro mas é difícil "furar" o sistema que as editoras controlam?
Então vai aqui:
www.lulu.com
Se quiseres ver um exemplo, espreita esta recomendação feita por um amigo meu sobre o livro de um amigo seu.
Então vai aqui:
www.lulu.com
Se quiseres ver um exemplo, espreita esta recomendação feita por um amigo meu sobre o livro de um amigo seu.
quarta-feira, novembro 15, 2006
Metáfora
Voando sobre um Ninho de Cucos (1975), de Milos Forman
Por aqui perto não há grande cinema (ainda que haja grandes cinemas...) e na semana passada eu, a minha cara-metade e as gatas (grandes apreciadoras de cinema - ou será de donos sentados durante horas no sofá?...) vimos o "Voando Sobre um Ninho de Cucos" que encontrámos, não sem surpresa, num vídeoclube de Albergaria-a-Velha.
Confesso que as expectativas não eram muitas nem grandes, mas às vezes é melhor assim.
É um filme com várias leituras possíveis, sendo uma das mais interesantes o facto de constituir uma excelente metáfora sobre a liberdade: há os que estão no manicómio porque assim alguém decidiu por eles e nem sabem bem que estão lá; há os que escolhem estar "presos por vontade" (como diria o Camões); e há o que não quer estar preso e procura mostrar aos outros o que é a liberdade, sendo vítima da sua loucura (prometaica?). No interim, contagia com esse desejo de liberdade o mais confinado, ainda que o mais livre de todos: o "selvagem" índio de quem nada se espera, porém o único que tem coragem para ser livre. A diferença entre o Índio e os outros parece ser a de aquele conseguiu manter o seu espírito sempre livre.
Pode alguém que sempre viveu com cadeias na mente ser livre algum dia? É esta uma das questões que o filme coloca: Billy é livre de sair quando quiser, mas não é capaz da abandonar as certezas e a rotina do dia-a-dia monótono e certo como a morte no momento em que a liberdade lhe é oferecida numa bandeja. O medo das consequências do desafio que constituirá a sua atitude atam-lhe a vontade. Acobarda-se. Quem vê o filme fica desiludido, não era para aqui que a narrativa nos parecia querer levar, queríamos um fim mais optimista. É que se pensarmos no que acontecerá ao bom selvagem que se evade, acabaremos por não ver um futuro assim tão radioso nessa sua opção.
A liberdade será um beco sem saída?
P.S. Filme a rimar com o magnífico "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Greve
É só para dizer que hoje, e amanhã estou em GREVE.
É um direito conquistado por muita BOA gente, durante décadas. É um direito é que me assiste.
É um direito conquistado por muita BOA gente, durante décadas. É um direito é que me assiste.
Passar palavra
O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS ou DVD para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.
«São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento», explicou ao Portugal Diário a Enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira. A «falta de "stocks"» torna necessária a ajuda da população:«Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que nãotêm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos»,acrescenta.
O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a «comédia». Numa altura menos feliz das suas vidas, «um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital». Rir é sempre um bom remédio.
As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para:
Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
A/C SrªEnfªElsa Oliveira
Rua Professor Lima Basto
1093 Lisboa Codex
Ou então, informe-se pelo telefone: 21 726 67 85
p.s. agradeço à Nogueira pela informação.
«São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento», explicou ao Portugal Diário a Enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira. A «falta de "stocks"» torna necessária a ajuda da população:«Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que nãotêm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos»,acrescenta.
O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a «comédia». Numa altura menos feliz das suas vidas, «um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital». Rir é sempre um bom remédio.
As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para:
Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
A/C SrªEnfªElsa Oliveira
Rua Professor Lima Basto
1093 Lisboa Codex
Ou então, informe-se pelo telefone: 21 726 67 85
p.s. agradeço à Nogueira pela informação.
terça-feira, novembro 07, 2006
sábado, novembro 04, 2006
Boatos?
Parece que a livraria Navio de Espelhos (Aveiro) fechou as portas sem pagar aos fornecedores, alguns deles pequenos editores a quem o dinheiro que lhes é devido muita falta lhes faz para continuarem a publicar o que não dá lucro às grandes editoras...
Tão boas intenções, tão bons projectos e nem se honram os compromissos? Está mal.
Tão boas intenções, tão bons projectos e nem se honram os compromissos? Está mal.
Agustina e Rembrandt
sexta-feira, novembro 03, 2006
quinta-feira, novembro 02, 2006
Sublinhados
"Esses portugueses de que você fala, que descobriram, colonizaram e criaram, somos nós, os brasileiros. Vocês são os descendentes dos que ficaram, dos tímidos, dos fracos, dos incapazes".
Cecília Meireles apud Jorge Dias, Estudos de Antropologia, vol 1, Lisboa 1990, p. 268
Foi o João B. que me enviou esta citação, da qual muito gostei. Li-a e pareceu-me que era uma excelente descrição da alma lusa.
Cecília Meireles apud Jorge Dias, Estudos de Antropologia, vol 1, Lisboa 1990, p. 268
Foi o João B. que me enviou esta citação, da qual muito gostei. Li-a e pareceu-me que era uma excelente descrição da alma lusa.
terça-feira, outubro 31, 2006
Estado - Leviatã
Que futuro para o Estado?
As últimas coordenadas "enviadas" pela União Europeia afirmam que o Estado deve liberalizar os seus "serviços". Ou seja, quer que o Estado ceda o seu normal funcionamento aos privados.
Tudo o que estava nas mãos do serviço público(Estado)deve passar para a mão dos privados, ex: água, luz, saúde, estradas, estaleiros, transportes, saneamento, educação, seguros, bancos....
TUDO que mexa com a bem comum deixará de pertencer ao Estado.
Assim sendo: Para que serve o Estado?
Para regular o bom funcionamento do sistema "liberal"? ditar as regras? vigiar?
Aos poucos e pouco deixamos(?)de ter um Estado social. Um Estado interventivo. E passamos a ter um Estado figurante.
Falta pouco!
Nietzsche matou dEUS. Quem matou o Estado?
p.s.: a LER...
Estado
Leviatã
As últimas coordenadas "enviadas" pela União Europeia afirmam que o Estado deve liberalizar os seus "serviços". Ou seja, quer que o Estado ceda o seu normal funcionamento aos privados.
Tudo o que estava nas mãos do serviço público(Estado)deve passar para a mão dos privados, ex: água, luz, saúde, estradas, estaleiros, transportes, saneamento, educação, seguros, bancos....
TUDO que mexa com a bem comum deixará de pertencer ao Estado.
Assim sendo: Para que serve o Estado?
Para regular o bom funcionamento do sistema "liberal"? ditar as regras? vigiar?
Aos poucos e pouco deixamos(?)de ter um Estado social. Um Estado interventivo. E passamos a ter um Estado figurante.
Falta pouco!
Nietzsche matou dEUS. Quem matou o Estado?
p.s.: a LER...
Estado
Leviatã
sexta-feira, outubro 27, 2006
Publicidade à poesia

Entrevista na página 10 do "Mil Folhas" ao poeta José Miguel Silva (autor do poema anterior e do blogue Ad loca Infecta).
Recensão crítica sobre o livro (Movimentos no Escuro) de onde o poema foi retirado na página 11.
quarta-feira, outubro 25, 2006
Sublinhados
FEIOS, PORCOS E MAUS
-ETTORE SCOLA
Compram aos catorze a primeira gravata
com as cores do partido que melhor os ilude.
Aos quinze fazem por dar nas vistas no congresso
da jota, seguem a caravana das bases, aclamam
ou apupam pelo cenho das chefias, experimentam
o bailinho das federações de estudantes.
Sempre voluntariosos, a postos sempre,
para as tarefas de limpeza após o combate.
São os chamados anos de formação. Aí aprendem
a compor o gesto, a interpretar humores,
a mentir honestamente, aí aprendem a leveza
das palavras, a escolher o vinho, a espumar
de sorriso nos dentes, o sim e o não
mais oportunos. Aos vinte já conhecem
pelo faro o carisma de uns, a menos valia
de outros, enquanto prosseguem vagos estudos
de Direito ou de Economia. Começam, depois
disso, a fazer valer o cartão de sócio: estão à vista
os primeiros cargos, há trabalho de sapa pela frente,
é preciso minar, desminar, intrigar, reunir.
Só os piores conseguem ultrapassar esta fase.
Há então quem vá pelos municípios, quem prefira
os organismos públicos - tudo depende do golpe
de vista ou dos patrocínios que se tem ou não.
Aos trinta e dois é bem o momento de começar
a integrar as listas, de preferência em lugar
elegível, pondo sempre a baixeza acima de tudo.
A partir do Parlamento, tudo pode acontecer:
director de empresa municipal, coordenador de,
acessor de ministro, ministro, embaixador na Provença,
presidente da Caixa, da PT, da PQP e, mais à frente
(jubileu e corolário de solvente carreira),
o golden-share de uma cadeira ao pôr-do-sol.
No final, para os mais obstinados, pode haver
nome de rua (com ou sem estátua) e flores
de panegírico, bombardas, fanfarras de formal.
José Miguel Silva
in: MOVIMENTOS NO ESCURO
Relógio D'Água, 2005 - Lisboa
P.S. Sendo desta massa que os nossos políticos são feitos, porque insistimos em querer que voem? Razão tem o Zimbro, os eleitores é que têm que mudar.
-ETTORE SCOLA
Compram aos catorze a primeira gravata
com as cores do partido que melhor os ilude.
Aos quinze fazem por dar nas vistas no congresso
da jota, seguem a caravana das bases, aclamam
ou apupam pelo cenho das chefias, experimentam
o bailinho das federações de estudantes.
Sempre voluntariosos, a postos sempre,
para as tarefas de limpeza após o combate.
São os chamados anos de formação. Aí aprendem
a compor o gesto, a interpretar humores,
a mentir honestamente, aí aprendem a leveza
das palavras, a escolher o vinho, a espumar
de sorriso nos dentes, o sim e o não
mais oportunos. Aos vinte já conhecem
pelo faro o carisma de uns, a menos valia
de outros, enquanto prosseguem vagos estudos
de Direito ou de Economia. Começam, depois
disso, a fazer valer o cartão de sócio: estão à vista
os primeiros cargos, há trabalho de sapa pela frente,
é preciso minar, desminar, intrigar, reunir.
Só os piores conseguem ultrapassar esta fase.
Há então quem vá pelos municípios, quem prefira
os organismos públicos - tudo depende do golpe
de vista ou dos patrocínios que se tem ou não.
Aos trinta e dois é bem o momento de começar
a integrar as listas, de preferência em lugar
elegível, pondo sempre a baixeza acima de tudo.
A partir do Parlamento, tudo pode acontecer:
director de empresa municipal, coordenador de,
acessor de ministro, ministro, embaixador na Provença,
presidente da Caixa, da PT, da PQP e, mais à frente
(jubileu e corolário de solvente carreira),
o golden-share de uma cadeira ao pôr-do-sol.
No final, para os mais obstinados, pode haver
nome de rua (com ou sem estátua) e flores
de panegírico, bombardas, fanfarras de formal.
José Miguel Silva
in: MOVIMENTOS NO ESCURO
Relógio D'Água, 2005 - Lisboa
P.S. Sendo desta massa que os nossos políticos são feitos, porque insistimos em querer que voem? Razão tem o Zimbro, os eleitores é que têm que mudar.
Impostos
Para que servem os IMPOSTOS?
Será para pagar a saúde? As estradas? A educação? A cultura?....
No ano em que se arrecadou mais dinheiro em Impostos, o orçamento de Estado é menor em investimentos. Para onde foi/vai todo o dinheiro?
Já sei, foi/vai para pagar as dívidas da Banca ao Estado. Para pagar prémios aos gestores públicos, aos partidos políticos...
Será para pagar a saúde? As estradas? A educação? A cultura?....
No ano em que se arrecadou mais dinheiro em Impostos, o orçamento de Estado é menor em investimentos. Para onde foi/vai todo o dinheiro?
Já sei, foi/vai para pagar as dívidas da Banca ao Estado. Para pagar prémios aos gestores públicos, aos partidos políticos...
terça-feira, outubro 24, 2006
segunda-feira, outubro 23, 2006
Maria Antonieta

Ontem fui ver o último filme da Sofia Coppola.
A banda sonora é de mais. Principalmente os New Order.
A não perder!
p.s.: é um filme (quase) biográfico.
sábado, outubro 21, 2006
Da educação
Desinvestimento
São José Almeida (Público de hoje)
Qual o objectivo do ministério? Transformar as escolas em fábricas de salsichas e introduzir prémios de produtividade? Criar uma espécie de stakonovismo pedagógico?
O Orçamento do Estado para 2007 apresenta uma opção política de redução da despesa pública com a função social do Estado, que se manifesta sobretudo no orçamento para a Educação, contemplado com menos 4,2 por cento das verbas do ano passado. Esta opção vem confirmar as teses que afirmam que as políticas adoptadas pelo Ministério da Educação, nomeadamente o novo Estatuto da Carreira Docente, têm como objectivo apenas e só a redução de custos e como base uma visão economicista da sociedade.
Nem de propósito, esta opção política é oficializada no Orçamento do Estado na mesma semana em que os professores realizaram uma greve de dois dias, considerada a maior de sempre no sector. Isto, depois de se terem reunido naquela que foi vista como a maior manifestação de professores e que juntou, segundo a polícia, mais de 25 mil docentes, muitos dos quais nunca se tinham manifestado. Uma greve e uma manifestação que surgem, assim, como um grito de revolta contra uma opção política que mexe profundamente com o tipo de sociedade que estamos a construir. E a que o poder político devia dar atenção, em vez de reagir com atitudes desesperadas como o patético comunicado do Ministério da Educação, "saudando os professores que não aderiram à greve", ou com uma retórica "reformista". Para depois, o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, vir anunciar, numa inqualificável chantagem sobre os sindicatos e os professores, que o ministério altera o estatuto, se não houver mais protestos. Mais: José Sócrates não deveria confundir a nuvem com Juno: os elogios à actual política de educação têm todos origem na mesma área ideológica, o que deveria ser motivo de reflexão por parte do Governo socialista e do PS.Esta opção política, de inspiração economicista e neoliberal, pelo desinvestimento público na educação - para que a médio, longo prazo se abra a porta à sua privatização, através, por exemplo do cheque-ensino? - tem sido apresentada como uma forma de melhorar o ensino público e tem apostado na estigmatização dos professores e na tentativa de os apresentar como "os maus da fita" e os responsáveis por todos os males da escola pública, como se as escolas e os professores não obedecessem a directivas do ministério.
Mas a atitude que o Governo adopta contém problemas graves que não se prendem só com a forma de tratamento dos professores, mas também com o conteúdo. E deste, o que é já transparente é que o objectivo, nomeadamente do novo estatuto, não é o bem dos alunos, a aprendizagem dos alunos, o sucesso escolar dos alunos. Vendido como uma forma de disciplinar, de meter na ordem os professores, apresentados como preguiçosos, o novo estatuto cria critérios que são questionáveis dentro de uma lógica de mero bom senso e de noção de bem público. Por que razão, por exemplo, só um terço dos professores pode atingir o escalão de "professor titular" (deixemos por comentar o ridículo da designação)? Qual o critério pedagógico para esta quota de um terço? Ou estamos de facto apenas perante um critério economicista de diminuir custos salariais com os professores?E não se venha de novo com a demagogia feita pelo primeiro-ministro, ao dizer que também nem todos os militares podem ser generais. A classe docente não é as forças armadas e a escola não é um quartel - simplificações deste tipo só podem denotar má-fé e falta de seriedade na discussão.
Esta lógica economicista de gerir a escola pública - procurando aplicar-lhe critérios empresariais de avaliação - é expressa num outro ponto do estatuto, o da avaliação dos professores para progressão na carreira. Aqui, a questão polémica não é só a do princípio demagógico e basista do "utente-avaliador", que perpassa na proposta de os encarregados de educação avaliarem os professores. É, sobretudo, o facto de o sucesso escolar dos alunos contar para a progressão na carreira - uma ideia que agora o secretário de Estado admite rever na chantagem que lançou sobre os professores. Qual o objectivo do ministério com esta regra? Transformar as escolas em fábricas de salsichas e introduzir prémios de produtividade? Criar uma espécie de stakonovismo pedagógico?
Será que vamos ter um sistema de ensino assumidamente discriminatório, com escolas boas e escolas guetos, separadas pela linha do sucesso escolar em rankings de separação de classe? Será que vamos assumir que há escolas em que as meninas e meninos de classe média e classe média alta, que frequentam certas escolas, serão os alunos de sucesso com professores classe A, que assim progridem na carreira e sobem ao seu topo? E depois as escolas-problema, com os alunos com dificuldades de aprendizagem, de adaptação, de inserção social, com os alunos de famílias atingidas pelo desemprego, pelo alcoolismo, pela toxicodependência, pelos problemas de disfuncionalidade social, que se reflectem, logicamente, na escola?
As escolas, de meios urbanos ou rurais, em que os problemas sociais são a real razão para o insucesso e o abandono escolar, e nas quais os professores têm de lidar com estes problemas, sem preparação profissional para tal e sem real assistência da Acção Social, que este ano foi mais uma vez reduzida - atribuindo-se um montante que nem sequer chega para comprar todos os manuais escolares, burocratizando-se o acesso à mesma e reduzindo-se o universo dos que a ela têm direito - ou de psicólogos, que continuam a ser pouquíssimos e não chegam para as encomendas. E ainda por cima são estes os professores que vão ficar a marcar passo na carreira, porque não produzem resultados de sucesso, não têm, digamos assim, lucro escolar? Ou vamos fomentar a mentira na atribuição de notas e promover as passagens automáticas, só para contar para as estatísticas de progressão na carreira?
A educação é um direito básico. As escolas em pré-fabricados continuam a aguardar ser substituídas e quase todas a esperar ser devidamente equipadas para que deixe de ser uma raridade os professores terem à sua disposição meios audiovisuais em boas condições e em quantidade suficiente ou simples fotocópias a cores. E a ser possível que no Inverno os alunos não tremam de frio e suem as estopinhas no Verão. Esse devia ser o investimento e não desinvestir-se socialmente com fins economicistas e obedecendo a uma lógica de transformar um direito básico num produto de mercado, criando, como manobra de dissuasão, a estigmatização dos professores.
Partilho com esta senhora, sem a conhecer a não ser de a ler, muitas opiniões sobre o mundo. Dou-me, isso a liberdade de trasncrever na íntegra este seu texto, que subscrevo inteiramente. Sublinhei algumas ideias que me parecem bom pasto para reflexão.
São José Almeida (Público de hoje)
Qual o objectivo do ministério? Transformar as escolas em fábricas de salsichas e introduzir prémios de produtividade? Criar uma espécie de stakonovismo pedagógico?
O Orçamento do Estado para 2007 apresenta uma opção política de redução da despesa pública com a função social do Estado, que se manifesta sobretudo no orçamento para a Educação, contemplado com menos 4,2 por cento das verbas do ano passado. Esta opção vem confirmar as teses que afirmam que as políticas adoptadas pelo Ministério da Educação, nomeadamente o novo Estatuto da Carreira Docente, têm como objectivo apenas e só a redução de custos e como base uma visão economicista da sociedade.
Nem de propósito, esta opção política é oficializada no Orçamento do Estado na mesma semana em que os professores realizaram uma greve de dois dias, considerada a maior de sempre no sector. Isto, depois de se terem reunido naquela que foi vista como a maior manifestação de professores e que juntou, segundo a polícia, mais de 25 mil docentes, muitos dos quais nunca se tinham manifestado. Uma greve e uma manifestação que surgem, assim, como um grito de revolta contra uma opção política que mexe profundamente com o tipo de sociedade que estamos a construir. E a que o poder político devia dar atenção, em vez de reagir com atitudes desesperadas como o patético comunicado do Ministério da Educação, "saudando os professores que não aderiram à greve", ou com uma retórica "reformista". Para depois, o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, vir anunciar, numa inqualificável chantagem sobre os sindicatos e os professores, que o ministério altera o estatuto, se não houver mais protestos. Mais: José Sócrates não deveria confundir a nuvem com Juno: os elogios à actual política de educação têm todos origem na mesma área ideológica, o que deveria ser motivo de reflexão por parte do Governo socialista e do PS.Esta opção política, de inspiração economicista e neoliberal, pelo desinvestimento público na educação - para que a médio, longo prazo se abra a porta à sua privatização, através, por exemplo do cheque-ensino? - tem sido apresentada como uma forma de melhorar o ensino público e tem apostado na estigmatização dos professores e na tentativa de os apresentar como "os maus da fita" e os responsáveis por todos os males da escola pública, como se as escolas e os professores não obedecessem a directivas do ministério.
Mas a atitude que o Governo adopta contém problemas graves que não se prendem só com a forma de tratamento dos professores, mas também com o conteúdo. E deste, o que é já transparente é que o objectivo, nomeadamente do novo estatuto, não é o bem dos alunos, a aprendizagem dos alunos, o sucesso escolar dos alunos. Vendido como uma forma de disciplinar, de meter na ordem os professores, apresentados como preguiçosos, o novo estatuto cria critérios que são questionáveis dentro de uma lógica de mero bom senso e de noção de bem público. Por que razão, por exemplo, só um terço dos professores pode atingir o escalão de "professor titular" (deixemos por comentar o ridículo da designação)? Qual o critério pedagógico para esta quota de um terço? Ou estamos de facto apenas perante um critério economicista de diminuir custos salariais com os professores?E não se venha de novo com a demagogia feita pelo primeiro-ministro, ao dizer que também nem todos os militares podem ser generais. A classe docente não é as forças armadas e a escola não é um quartel - simplificações deste tipo só podem denotar má-fé e falta de seriedade na discussão.
Esta lógica economicista de gerir a escola pública - procurando aplicar-lhe critérios empresariais de avaliação - é expressa num outro ponto do estatuto, o da avaliação dos professores para progressão na carreira. Aqui, a questão polémica não é só a do princípio demagógico e basista do "utente-avaliador", que perpassa na proposta de os encarregados de educação avaliarem os professores. É, sobretudo, o facto de o sucesso escolar dos alunos contar para a progressão na carreira - uma ideia que agora o secretário de Estado admite rever na chantagem que lançou sobre os professores. Qual o objectivo do ministério com esta regra? Transformar as escolas em fábricas de salsichas e introduzir prémios de produtividade? Criar uma espécie de stakonovismo pedagógico?
Será que vamos ter um sistema de ensino assumidamente discriminatório, com escolas boas e escolas guetos, separadas pela linha do sucesso escolar em rankings de separação de classe? Será que vamos assumir que há escolas em que as meninas e meninos de classe média e classe média alta, que frequentam certas escolas, serão os alunos de sucesso com professores classe A, que assim progridem na carreira e sobem ao seu topo? E depois as escolas-problema, com os alunos com dificuldades de aprendizagem, de adaptação, de inserção social, com os alunos de famílias atingidas pelo desemprego, pelo alcoolismo, pela toxicodependência, pelos problemas de disfuncionalidade social, que se reflectem, logicamente, na escola?
As escolas, de meios urbanos ou rurais, em que os problemas sociais são a real razão para o insucesso e o abandono escolar, e nas quais os professores têm de lidar com estes problemas, sem preparação profissional para tal e sem real assistência da Acção Social, que este ano foi mais uma vez reduzida - atribuindo-se um montante que nem sequer chega para comprar todos os manuais escolares, burocratizando-se o acesso à mesma e reduzindo-se o universo dos que a ela têm direito - ou de psicólogos, que continuam a ser pouquíssimos e não chegam para as encomendas. E ainda por cima são estes os professores que vão ficar a marcar passo na carreira, porque não produzem resultados de sucesso, não têm, digamos assim, lucro escolar? Ou vamos fomentar a mentira na atribuição de notas e promover as passagens automáticas, só para contar para as estatísticas de progressão na carreira?
A educação é um direito básico. As escolas em pré-fabricados continuam a aguardar ser substituídas e quase todas a esperar ser devidamente equipadas para que deixe de ser uma raridade os professores terem à sua disposição meios audiovisuais em boas condições e em quantidade suficiente ou simples fotocópias a cores. E a ser possível que no Inverno os alunos não tremam de frio e suem as estopinhas no Verão. Esse devia ser o investimento e não desinvestir-se socialmente com fins economicistas e obedecendo a uma lógica de transformar um direito básico num produto de mercado, criando, como manobra de dissuasão, a estigmatização dos professores.
Partilho com esta senhora, sem a conhecer a não ser de a ler, muitas opiniões sobre o mundo. Dou-me, isso a liberdade de trasncrever na íntegra este seu texto, que subscrevo inteiramente. Sublinhei algumas ideias que me parecem bom pasto para reflexão.
quarta-feira, outubro 18, 2006
Humor político
O secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra, afirmou hoje que a culpa do aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade em 2007 é dos consumidores, porque "este défice tem de ser pago por quem o gerou".
Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores".
"São os consumidores que devem este dinheiro. Não é mais ninguém", declarou o governante à rádio TSF. "Este défice tem de ser pago por quem o gerou", disse ainda Castro Guerra.
Retirado do público online.
Como? Repita lá, que eu estou mal de percebas:
1. Então a lei feita por quem elegemos e por quem nos tem governado impedia uma actualização dos preços acima da inflação e agora descobre-se que por causa dessa lei NÓS É QUE DEVEMOS DINHEIRO? Mas devemo-lo a quem? Desculpem, mas se a lei está mal feita não foram os senhores que a fizeram? Fizessem-na melhor.
2. Depois, senhores pseudo-socialistas, já vos ocorreu que há sectores em que não se pode só esperar lucros quando se está à frente de um governo e que o da electricidade é um deles por se tratar de um bem essencial?
3. Este tipo de declarações não é uma auto-desresponsabilização dos políticos?
4. A EDP não é uma das empresas que mais lucros apresenta? Então por que não usar esses lucros para cobrir o "défice tarifário" que nós , malevolamente por certo, criámos?
Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores".
"São os consumidores que devem este dinheiro. Não é mais ninguém", declarou o governante à rádio TSF. "Este défice tem de ser pago por quem o gerou", disse ainda Castro Guerra.
Retirado do público online.
Como? Repita lá, que eu estou mal de percebas:
1. Então a lei feita por quem elegemos e por quem nos tem governado impedia uma actualização dos preços acima da inflação e agora descobre-se que por causa dessa lei NÓS É QUE DEVEMOS DINHEIRO? Mas devemo-lo a quem? Desculpem, mas se a lei está mal feita não foram os senhores que a fizeram? Fizessem-na melhor.
2. Depois, senhores pseudo-socialistas, já vos ocorreu que há sectores em que não se pode só esperar lucros quando se está à frente de um governo e que o da electricidade é um deles por se tratar de um bem essencial?
3. Este tipo de declarações não é uma auto-desresponsabilização dos políticos?
4. A EDP não é uma das empresas que mais lucros apresenta? Então por que não usar esses lucros para cobrir o "défice tarifário" que nós , malevolamente por certo, criámos?
Eu quero, posso e mando
Medronho, em resposta ao teu comentário no poste anterior, é simples: nós pagamos à banca e a banca não paga nada a ninguém, mete ao bolso. A isto cham-se estímulo a um sector pobrezinho e com muito poucos lucros. Os governos pseudo-socialistas e pseudo-sociais-democratas têm muito cuidado com os lucros destes senhores.
Não têm é cuidado nenhum connosco. E sabes porquê? Porque sabem que o português manda vir muitas, mas muitas, postas de pescada no café ou no autocarro mas que não passa disso. Isto é que é triste. Repara na impunidade destes seres pensantes: ontem na apresentação do OGE até anunciaram que os deficientes (nem sei por que é que eles não arranjaram um eufemismo hipócrita mais ao gosto deles para designar este grupo de cidadãos) iriam pagar mais imposto! Isto num país em que nada ou quase nada é construído a pensar nestes cidadãos que são constantemente atacados nos seus direitos mais básicos, como os da mobilidade ou os do acesso ao emprego. Depois ainda tivemos que ouvir o senhor Sócrates, com aquele ar cândido que o diabo lhe deu, dizer que estas medidas se destinavam a promover a justiça social.
Perante estas e outras barabaridades nós, o povo que devia ordenar mais, encolhe os ombros e não exige melhores políticos. Temos a liberdade para o fazer mas preferimos não o fazer. Curioso, não? Eu até diria: assustador.
Não têm é cuidado nenhum connosco. E sabes porquê? Porque sabem que o português manda vir muitas, mas muitas, postas de pescada no café ou no autocarro mas que não passa disso. Isto é que é triste. Repara na impunidade destes seres pensantes: ontem na apresentação do OGE até anunciaram que os deficientes (nem sei por que é que eles não arranjaram um eufemismo hipócrita mais ao gosto deles para designar este grupo de cidadãos) iriam pagar mais imposto! Isto num país em que nada ou quase nada é construído a pensar nestes cidadãos que são constantemente atacados nos seus direitos mais básicos, como os da mobilidade ou os do acesso ao emprego. Depois ainda tivemos que ouvir o senhor Sócrates, com aquele ar cândido que o diabo lhe deu, dizer que estas medidas se destinavam a promover a justiça social.
Perante estas e outras barabaridades nós, o povo que devia ordenar mais, encolhe os ombros e não exige melhores políticos. Temos a liberdade para o fazer mas preferimos não o fazer. Curioso, não? Eu até diria: assustador.
domingo, outubro 15, 2006
Manifestações e autismo
Temos assistido (pouco) nos telejornais, lido nos jornais e ouvido nas rádios que muita gente anda descontente neste país, que há manifestações como desde há décadas não se faziam contra as políticas do senhor Sócrates. E a reacção do senhor Sócrates e dos seus correlegionários de governo é algo como: "há uma manifestação? 'tá bem, abelha."
Este autismo dos eleitos em relação aos eleitores, i.e., em relação a todos quantos foram votar (e não só aos que votaram no PS), lembra o autismo dos tempos do Aníbal. Aposto que o Sócrates anda a receber lições às 5ªs.
Concordamos todos que algo tem que mudar neste país que os governos têm sucessivamente desgovernado, mas será necessário tratar tão mal os manifestantes e os votantes? E aqueles votantes que se estão regozijando por finalmente a Função Pública estar a "ter o que merece" não se esqueçam: a Função Pública é o referencial de negociação para o sector privado, quanto pior tratados forem os trabalhadores da função pública, pior o serão os do privado, por arrastamento.
Já agora, se a culpa do desvario das contas públicas não é dos trabalhadores, por que não chamar os políticos que nos governaram e responsabilizá-los criminalmente? Talvez assim, de futuro, os políticos pensassem mais com o cérebro e menos com os amiguismos. Talvez assim, a qualidade de quem nos vai "governando" começasse a mudar. E se é preciso apertar o cinto e poupar dinheiro, para quando a tributação das mais-valias em bolsa, para quando uma verdadeira reforma fiscal? Por que razão tenho eu de pagar tantos impostos directos e indirectos e o meu vizinho do lado só tem que pagar os relacionados com o consumo, apesar de ter um carro que custou mais do que a minha casa e uma casa que custou o preço de 10 carros iguais ao dele? Que raio de governação socialista é esta? Socialista? Em quê? Só se for para roubar aos trabalhadores para dar às grandes empresas, aos bancos e a toda a gente que foge aos impostos,mas beneficia das estradas, dos hospitais, das escolas que EU e outros como eu pagamos.
P.S. A imagem é do Kaos, que há muito nos anda a lembrar de que só as moscas mudaram.
Este autismo dos eleitos em relação aos eleitores, i.e., em relação a todos quantos foram votar (e não só aos que votaram no PS), lembra o autismo dos tempos do Aníbal. Aposto que o Sócrates anda a receber lições às 5ªs.
Concordamos todos que algo tem que mudar neste país que os governos têm sucessivamente desgovernado, mas será necessário tratar tão mal os manifestantes e os votantes? E aqueles votantes que se estão regozijando por finalmente a Função Pública estar a "ter o que merece" não se esqueçam: a Função Pública é o referencial de negociação para o sector privado, quanto pior tratados forem os trabalhadores da função pública, pior o serão os do privado, por arrastamento.Já agora, se a culpa do desvario das contas públicas não é dos trabalhadores, por que não chamar os políticos que nos governaram e responsabilizá-los criminalmente? Talvez assim, de futuro, os políticos pensassem mais com o cérebro e menos com os amiguismos. Talvez assim, a qualidade de quem nos vai "governando" começasse a mudar. E se é preciso apertar o cinto e poupar dinheiro, para quando a tributação das mais-valias em bolsa, para quando uma verdadeira reforma fiscal? Por que razão tenho eu de pagar tantos impostos directos e indirectos e o meu vizinho do lado só tem que pagar os relacionados com o consumo, apesar de ter um carro que custou mais do que a minha casa e uma casa que custou o preço de 10 carros iguais ao dele? Que raio de governação socialista é esta? Socialista? Em quê? Só se for para roubar aos trabalhadores para dar às grandes empresas, aos bancos e a toda a gente que foge aos impostos,mas beneficia das estradas, dos hospitais, das escolas que EU e outros como eu pagamos.
P.S. A imagem é do Kaos, que há muito nos anda a lembrar de que só as moscas mudaram.
quarta-feira, outubro 11, 2006
Sublinhados
" A vida é atroz; sabemos isso. Mas precisamente porque espero pouco da condição humana, os períodos de felicidade, os progressos parciais, os esforços de recomeço e de continuidade parecem-me outros tantos prodígios que compensam quase a massa enorme dos males, dos fracassos, da incúria e do erro. Hão-de vir as catástrofes e as ruínas ; a desordem triunfará, mas também a ordem, por vezes. A paz instalar-se-á de novo entre dois períodos de guerra; as palavras liberdade, humanidade, justiça reencontrarão aqui e ali o sentido que temos tentado dar-lhes."
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, trad. Maria Lamas
Concordo com Adriano/Yourcenar. Toda a esperança de evolução social tem este limite, mas também esta certeza: os progressos nunca serão definitivos, mas regressarão sempre.
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, trad. Maria Lamas
Concordo com Adriano/Yourcenar. Toda a esperança de evolução social tem este limite, mas também esta certeza: os progressos nunca serão definitivos, mas regressarão sempre.
Sublinhados
"Duvido de que toda a filosofia do mundo consiga suprimir a escravatura: o mais que poderá suceder é mudarem-lhe o nome. Sou capaz de imaginar formas de servidão piores que as nossas [a escravatura no tempo do imperador romano Adriano], por serem mais insidiosas: seja que consigam transformar os homens em máquinas estúpidas e satisfeitas, que se julgam livres quando estão subjugados, seja que se desenvolvam neles, com exclusão dos repousos e prazeres humanos, um gosto pelo trabalho tão arrebatado como a paixão da guerra entre as raças bárbaras. "
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar , trad. Maria Lamas
Yourcenar fala aqui da "servidão do espírito ou da imaginação". Quantas vezes nos sentimos nós vítimas desta ignominiosa servidão? Quantas vezes colocamos nós próprios as nossas grilhetas?
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar , trad. Maria Lamas
Yourcenar fala aqui da "servidão do espírito ou da imaginação". Quantas vezes nos sentimos nós vítimas desta ignominiosa servidão? Quantas vezes colocamos nós próprios as nossas grilhetas?
segunda-feira, outubro 09, 2006
Medo Nuclear

Com a nova afronta de Kim Yong II, no teste nuclear. O medo de um possivel ataque nuclear instalou-se (principalmente) nos países vizinhos: Coreia do Sul, China e Japão.
O meu receio não será tanto do lunático ditador norte coreano, mas sim na venda desta informação a "pequenos" ditadores, fanáticos que pretendam usar contra o Ocidente.
Nós podemos controlar a mudança do clima...
...sem muito esforço: clica aqui e toca a mudar o nosso comportamento um bocadinho. É que o mundo já cá estava quando chegámos e quando sairmos temos que o deixar estimadinho para a geração seguinte.
terça-feira, outubro 03, 2006
Via ecológica
Como produzir biodiesel para usar em automóveis a gasóleo, diminuindo o dinheiro gasto em combustível e diminuindo o nosso impacto sobre o meio ambiente ?
Encontrei um curso sobre esse assunto (graças ao Venus as a boy, obrigada), está aqui:
http://www.troquedeenergia.com/CursoBioDiesel/CursoBioDiesel.php
e nesse sítio há muito mais coisas interessantes!
Encontrei um curso sobre esse assunto (graças ao Venus as a boy, obrigada), está aqui:
http://www.troquedeenergia.com/CursoBioDiesel/CursoBioDiesel.php
e nesse sítio há muito mais coisas interessantes!
segunda-feira, outubro 02, 2006
Sublinhados
1. ... musicais
Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linhas travessas do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado
Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
Só quando as fachadas dos edificiospúblicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram
Há quem veja em Jeremiasapenas mais uma vitima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto o criminoso tem uma certa tendência natural p´ra ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões p´ra se culpar
Porque nunca foi a ambição nem a vingança que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a constituição
Como um poeta ele desarranja opesadelo p´ra lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação
Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de se seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitaveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: o fora-da-lei
Gosta de tesouros e mapas sobertudo daqueles que o tempomais mal tratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora.
(cantado pelo Jorge Palma, no Lado Errado da Noite)
2. ...cinematográficos
"we are nihilists, we believe in nothing"
The Big Lebowski, realizado pelos irmãos Cohen
Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linhas travessas do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado
Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
Só quando as fachadas dos edificiospúblicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram
Há quem veja em Jeremiasapenas mais uma vitima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto o criminoso tem uma certa tendência natural p´ra ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões p´ra se culpar
Porque nunca foi a ambição nem a vingança que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a constituição
Como um poeta ele desarranja opesadelo p´ra lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação
Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de se seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitaveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: o fora-da-lei
Gosta de tesouros e mapas sobertudo daqueles que o tempomais mal tratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora.
(cantado pelo Jorge Palma, no Lado Errado da Noite)
2. ...cinematográficos
"we are nihilists, we believe in nothing"
The Big Lebowski, realizado pelos irmãos Cohen
Obs. : Acabará o idealismo no niilismo ou em escolher o nosso lugar do lado de fora?
Ou cansar-nos-emos de seguir remando contra a maré e votaremos todos no bloco central?
domingo, outubro 01, 2006
Experiências ecológicas
Este fim de semana fui caminhar com a Quercus, de Aveiro, pelo Vale do Rio Urtigosa, em Arouca.
Foi mais um daqueles dias de muita conversa boa e muito contacto com a natureza. Soube bem esperar a chuva e não chover, sentir o aroma das vindimas por todo o lado, ver árvores que não fossem eucaliptos, conviver com pessoas de diferentes idades e interesses. Soube muito bem ver o Outono de dedos vermelhos a tocar as parras e algumas árvores e imaginar que aquele percurso, quando o Outono perder a timidez, será ainda mais belo de fazer. Adoro estas experiências e recomendo (as caminhadas com a Quercus são muito fáceis, havia crianças de oito anos e gente de cabelos brancos, tendo ainda a vantagem de haver alguém que nos vai dando umas informações sobre a fauna e a flora ou mesmo sobre certas características da região). Estão a ouvir, amiguinhos-que-dizem-que gostavam-de-se-meter-nestas-coisas-mas que-não-têm-pernas?
Esta caminhada teve ainda a mais valia de me permitir ficar a saber
Foi mais um daqueles dias de muita conversa boa e muito contacto com a natureza. Soube bem esperar a chuva e não chover, sentir o aroma das vindimas por todo o lado, ver árvores que não fossem eucaliptos, conviver com pessoas de diferentes idades e interesses. Soube muito bem ver o Outono de dedos vermelhos a tocar as parras e algumas árvores e imaginar que aquele percurso, quando o Outono perder a timidez, será ainda mais belo de fazer. Adoro estas experiências e recomendo (as caminhadas com a Quercus são muito fáceis, havia crianças de oito anos e gente de cabelos brancos, tendo ainda a vantagem de haver alguém que nos vai dando umas informações sobre a fauna e a flora ou mesmo sobre certas características da região). Estão a ouvir, amiguinhos-que-dizem-que gostavam-de-se-meter-nestas-coisas-mas que-não-têm-pernas?
Esta caminhada teve ainda a mais valia de me permitir ficar a saber
- que a Lipor dá cursos de compostagem doméstica, agricultura biológica e montes de outros, muito interessantes muito mais acessíveis do que os caríssimos em Serralves (Porto);
- que é possível fazer compostagem em apartamentos (ver aqui e aqui) e que até há quem tenha alfaces e tomates nas floreiras das varandas - estás a ouvir Major Tom? E tu, Venus?
P.s. Este poste parece um boletim informativo... Ih! Ih!
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